Eu não faço a menor idéia de como você vai entender. Na verdade eu não tenho a menor idéia do que eu quero dizer. Eu sei que você não vai saber correr pro lugar sagrado do meu peito. Eu sei que não vai dar certo, que não adianta que nós não teremos um lugar ao sol ou um lugar num lençol branco e puro e sonhar com tudo o que é bom da vida. Nós não seremos amigos. Nós não nos abraçaremos como amores reais. Mas numa bela manhã me vi pensando em você e pensando que talvez, mesmo que não haja a menor possibilidade porque a gente tinha deixado de sentir e fazia tempo, não me custava escrever que o seu abraço era esmagador. Uma amiga minha deu a dica: “fala isso e aquilo, eu vou lá com você. Se tu quiser, fico te esperando”. E foi o que tentei fazer. Peguei pão, coloquei manteiga, fiz meu toddy, me vesti, fui trabalhar, escrevi emails, assinei contratos, fiz reuniões, até chegar a hora que não dava mais pra adiar. É agora ou nunca. Oi? Como assim? Ligo pra minha amiga: “digo rasgado mesmo ou faço um texto floriado?” e ela séria, no meio de uma reunião “você até agora não mandou? Diz logo, diz de uma vez, floriado ou direto, mas diz...”. Agora era uma questão de honra. Começo lembrando de cada coisa mais ridícula que a outra e lembro que isso é normal, porque eu sou ridícula e as minhas historias não poderiam ser diferentes. Digito meio sem coragem... “você era...” será que ele deixou de ser? Me aproximo de uma crise existencial. Apago as duas palavras e volto a pensar. Falo com a minha amiga da sala ao lado: “Flávia, que que eu faço”? Ela fecha a cara e diz que eu preciso me virar sozinha. Antes de me arrastar até a forca e voltar a digitar cada palavra por alguma razão da desgraça humana eu vejo o ar de dó da minha amiga parada, imóvel tentando entender o porquê eu tava fazendo aquilo tudo. Qual é? Não posso sentir nada, não? Tá com raiva porque eu decidi que quero me despedir bacana dessa historia de mais de uma década? Sua religião não permite? Qual é a sua? Virou minha mãe agora? Você devia era estar feliz que eu finalmente vou me libertar dessa historia toda. Qual é seu problema? Mas como nada disso tem muito cabimento, desencano de entender e percebo que a minha amiga não está parada imóvel me analisando, ela só está esperando a impressora terminar de imprimir os relatórios que ela tinha pedido. Eu é que estou inventando história complicada pra algo tão simples quanto: mandar um tchau pra uma pessoa bacana, que me amou e que eu amei e que a historia acabou tem uns seis anos luz. Veja bem: Aonde isso é simples? Ronan o psicólogo disse que eu tenho uma necessidade enorme de encerrar os ciclos da minha vida com abraços pra me sentir liberta. O fim de qualquer coisa já me deixa meio mal, e se não for bem finalizado me deixa muitooo mal. Eu escrevo: “Eu não resisti”. E aí começou o festival de nostalgia e atos falhos. Paro alguns segundos pra resolver o que me parecem ser a únicas perguntas que realmente importam na vida de uma mulher: digo tudo ou digo só a metade? Me mostro exagerada e meio louca, ou me mostro comedida e meio santa? Sou super madura ou não passo de uma criança? Me lembro que ele me conhece muito mais do que eu mesma. Ok. Vou ser super sincera e dizer o que eu tô sentindo. A minha vida sempre funcionou assim mesmo. “galera, segura aí que eu vou dizer pra ele que senti saudade mesmo não amando e mesmo ele tendo me amado muito eu nunca soube explicar o porque a gente não deu certo” Acabou. Agora acabou. Seria, enfim, o fim do alarme barulhento e muito vermelho que não parava de disparar no meio da minha cabeça me avisando que eu tinha que dizer que eu o liberava, e que sim, eu queria que ele fosse muito feliz. Olhem! T
odos! Eu tenho um coração gigante e sou muito bacana, mesmo que às vezes eu me sacanei bastante. Num ato de desespero e exaustão, decido acabar logo com isso. É, minha gente, eu escrevi um texto bacana. Aperto enviar e o email vai embora. Ufa! Eu enviei. Eu me libertei. Eu estou em casa. Para meu desespero vejo uma frase bem bacana de um rapaz no face que me da vontade de escrever. E me preocupo. E agora o que será que ele vai pensar? Eu não sei, mas Freud certamente saberia explicar.
20 outubro, 2010
Freud explica
19 setembro, 2010
Vem cá amor!
31 agosto, 2010
Relatório mensal
Por puro capricho e uma pontada de inveja César Augusto (imperador) resolveu por decreto que esse mês teria trinta e um dias e que se chamaria Agosto. Foi assim que eu comecei a reunião mais importante do mês com o meu novo chefe. Desde que ele assumiu o controle da empresa todo mundo voltou a andar na linha. Chegando sempre no horário. Cumprindo as metas, alias, muitas vezes, superando as metas. O cafezinho era mesmo só quinze minutinhos e olhe lá, muitos até faziam hora extra. O antigo chefe, sempre complacente demais, sentava à mesa conosco e tomava seu chazinho contando histórias lindas, engraçadas, tristes, mas sempre emocionantes. Todos, sem exceção o idolatravam. Mas o tal novo chefe andava sério e sisudo, sem um sorriso nos lábios, até pra cumprimentar. Seu andar sempre firme, seus gestos sempre bem articulados, suas respostas prontas pra qualquer pergunta. Todos esperavam aflitos a hora que seriam chamados e teriam seus serviços dispensados. O burburinho na empresa era inevitável. Com olhares e testas franzidas todos se comunicavam. Ele me liga e diz: “o relatório mensal deverá ser apresentado por você”. Pera aí, por que eu? Como assim? Eu nunca fiz isso! E agora? E se eu ficar nervosa demais e começar a sorrir e fazer graça? Meu antigo chefe entenderia e sorriria comigo, mas você não! E quem você pensa que é afinal? “sim senhor, é pra já, inclusive, já o tenho em mãos”. Eu posso ser estranha, mas passo longe de ser incompetente! E lá no meu blá blá blá dizendo que César Augusto fez Agosto virar Agosto por inveja de Júlio Cézar que batizou Julho em sua homenagem e fez o mês ter trinta e um dias. Ele me olha sério e avisa “quando você quiser”. Pô, eu já tinha começado. Mas se era assim, partiria logo pro que realmente interessava. Olha, nesse mês de agosto as receitas superaram todas as expectativas. Alianças de paz foram firmadas. Antigos fantasmas enterrados (fizemos missas de sétimo dia pra cada um). Subimos dois números na bunda de valores. A unha foi enfim restabelecida. Novas parcerias foram feitas. Muitos eventos comemorativos. Inúmeros convites. Propostas de namoro. Novas aulas e um vasto aprendizado. Projeto de conclusão do curso aprovado. Suspeita de repetência em pesquisa cancelada – aprovada na média, entretanto, aprovada. Volta à escrita. Reencontros com amigos. Já as despesas. Apesar dos dois pontos na bunda de valores, nós tivemos um crescimento de cinco pontos percentuais no índice de gordura. Um vírus aparentemente nocivo, para se reproduzir, o Diocteriófago fixou-se na superfície do cérebro com mensagens sublimares hospedou-se através do coração, perfurando toda a razão celular e injetando todo o material em expectativas frustradas. Tentamos por diversas vezes um tratamento paliativo, visando reduzir os sintomas sem alterar a doença. Mas infelizmente nada pôde ser feito. A saída do Sr. Ricardo (motorista da van) e um assassinato na rua da minha casa me deixaram extremamente abalada. Algumas dívidas foram contraídas pela falta de contrato firmado, mas o freela voltou a funcionar. Portanto o balanço do mês de Agosto é positivo. Temos bastante paz e tranqüilidade. Foi um mês bastante racional, apesar dessa ultima parte citada. Ele me olhou sério, e eu fiquei esperando uma bronca: “cinco pontos percentuais de gordura? Como você deixa isso acontecer? Vírus? Por que diabos você ainda não conseguiu esse contrato”? Nada. Ele não dizia nada! “tipo, oi? Eu acabei”... Ele sorriu: “Até quem fim você aprendeu. Vou te dar um aumento e uma promoção”! Oi? Aumento? Promoção? É que desde que tu assumiu essa empresa as coisas voltaram a funcionar direito. Mas enfim, acho mesmo que mereço! O coração, antigo chefe e hoje rebaixado de cargo, me olhava impotente e passivo, triste e arrasado. Eu via aquilo, mas me calava, já que no passado por pouco ele quase nos leva a falência. Na hora de sair da reunião eu segurei na mão dele e disse baixinho: “Ei bobo, é sempre assim, quando a empresa vai mal, eles sempre contratam uma consultoriazinha de merda, mas é só as coisas ficarem boas que a velha chefia volta a comandar. Essa empresa é sua. Ela só tem graça com você no comando. É que às vezes, só às vezes, você é meio burrinho, mas eu prefiro mil vezes ter você como senhor e dono da minha empresa”!
18 agosto, 2010
Pelas horas que são
Sensível, seletiva, inteligente, sem frescura, contra modinhas, amante de uma boa leitura, ouve musica boa, assiste futebol. Ok! Agora o que eu faço pra ter uma boa roçada de barba no meu pescoço, mãos quentes percorrendo o corpo, beijos apaixonados com trilha sonora e muito frio na barriga? Eu não posso, e não me permito sair por ai estragando toda a fama que eu criei de difícil que nem beijo na boca à toa sai dando, deixar que um cara qualquer realize os meus desejos. Não existe a possibilidade que eu simplesmente saia de casa vestida com decotes insinuantes, bem maquiada, atrás de homens que só querem roçar suas barbas em pescoços, esfregar suas mãos quentes em corpos, dar beijos, não necessariamente apaixonados. Com tudo o que eu sei e entendo por vida, esses prazeres só aumentam o buraco na alma, só serve pra lembrar que se divertir com o cara errado, te faz pensar muito mais no cara certo. Se eu quiser de verdade, eu até tenho alguns caras bem legais, e bonitinhos e aparentemente interessantes, que cheiram bem e que conseguem a minha atenção por algumas horas. Mas não seria justo com eles, comigo, com a minha vontade, com o meu pescoço, com a natureza, com a música, com o mundo. E depois eu faço o que com eles? Não tenho paciência pra ser cheia de frescuras e não sou homem pra me livrar de encostos com facilidade. Final de qualquer coisa sempre chega pra mim com uma bomba prestes a explodir. Ex namorado? Ex paquera? Também não dá. Eu sou ponte de novos relacionamentos. E isso é sério. Mal terminamos e eles engatam em namoros tão sérios que sempre acho que todos estão prestes a casar. Queria um novo romance, um ombro quentinho e acolhedor pra filmes no cinema. Num mundo perfeito estaria tudo incrível. Mas lá no fundo. Bem lá no fundo mesmo, pra falar a verdade. Falta alguma coisa. A minha cabeça, sempre pede por mais. Leia mais. Estude mais. Trabalhe mais. Se concentre mais. Se exercite mais. E eu vivo pressionada, porque sempre acho que faço tudo menos. Na verdade eu acho que eu não faça é nada. Se leio, leio pouco, estudo pouco, trabalho pouco, saio pouco. E o meu cérebro fica lá, gritando, martelando. E como se merda por si só não é coisa pouca, ainda tem o meu lado carente que grita dentro de mim. Esse meu lado burro, ignora tudo. Ignora que eu não seria capaz de me entregar pra qualquer idiota. Queria arrumar um namorado, um amorzinho, passear de mãos dadas, ver filme bom, dormir agarradinha. E me entregar pra qualquer um? Pra quê? Pra acordar triste, com raiva, com nojo de ter se deixado levar por um desejo físico totalmente sem alma? Meu cérebro me diz que isso passa. E enquanto não passa eu tô lá, olhando aquele sorriso, vendo aquela boca, congelada em desejos e instantes que não passam. Minha vida atual é uma luta constante entre carne e espírito. Um evolui e é preocupado com o que acontece lá fora. A outra, quer ver o circo pegar fogo, mas aqui dentro. E no final, eu não sou carne e nem espírito. Nem tão neurótica e nem tão dada. Nem santa e nem pecadora. Minha carne me faz sentir saudade de quem me fez sofrer, me deixa com buracos impossíveis de preencher. Ela podia congelar, tirar um tempo pra meditar, fazer um tour com meu espírito num desses passeios espirituais. Troco tudo por um pouco de paz e tranqüilidade. Eu só quero ser feliz. Eu quero respeitar o meu espírito que manda fazer tudo direitinho, mas quero ter um cara bacana do meu lado que me leve pra tomar café no fim da tarde e me pergunte como foi o meu dia. Quero um cara bonzinho que me ajude a parar de escrever merda pra que eu possa ganhar muita grana, muito prestigio, e muito glamour. E que o cara bonzinho sacie a minha carne, e roce a tal barba no meu pescoço e faça algumas sacanagens comigo. Claro!
15 agosto, 2010
Primeira vez
Pra não pensar em nada, pra ficar mais calma, respirar fundo e sentir o ar entrar nos meus pulmões. É isso, é fácil, é só respirar, tá vendo? Calma isso passa, logo melhora, daqui a pouco você vai estar gostando muito, eu prometo. Mas e se não passar? E se não melhorar? É que comigo, as coisas nunca passam, entende? Acho que não vou conseguir. Aumenta a música então. Tudo tão engraçado e tão perturbador ao mesmo tempo, nunca às emoções foram tão sensíveis e perceptíveis. Era eu, nua de toda capa, couraça, vontades reprimidas, dogmas, paradigmas, era eu, apenas eu. E o mundo sempre tão amado, tão desejado, tão isso e aquilo perdeu todo o brilho. Daqui a pouco começa tudo de novo, os carros, as buzinas, a correria indicando que nada mudou. Tudo continua igual! Mas não precisa pensar nisso. Volta pra cá. Isso é só o começo. Chega de me entupir das coisas que me incomodam. É a minha primeira vez, eu não vou deixar que o mundo venha e me roube isso. Chega de correr e correr em busca dessas respostas que sempre chegam vazias de entendimento. To cansada de tanto pensar, de tanto sentir. Quero me esvaziar, ter um orgasmo de liberdade. Isso existe? Não sei, mas eu quero isso, você é capaz de me dar isso? Meu quadrado de ar e silêncio fica cada vez maior. Eu respiro e sinto toda a dor aos poucos indo embora. Eu e o meu sorriso. Eu e as minhas lágrimas. Tudo ao mesmo tempo em uníssono. Ontém não existiu. Fora do meu quadrado não existe mais nada. Não existe a pancada, a dor, a guerra, a pobreza, o sofrimento. Eu não vou sair nunca mais daqui, quero acordar e ficar aqui, onde a pressão não cai, onde a preocupação não existe, onde as pessoas não inventam gostar ou não de mim. Aqui não tem hipocrisia, a gente é o que é, e fala o que pensa, e sente de verdade, e corre até cansar, e coloca a língua pra fora que nem cachorro exausto sedento por água. Aqui não tem gente que me olha como coruja do alto de suas observações e analisa o meu comportamento, a maneira como eu sorrio, como eu falo, como coloco os cotovelos na mesa, como se já tivessem me comido numa festa e tivessem esse segredo em suas mãos. Mania de estar me justificando, mania besta de querer ser boa demais, ter os melhores conselhos, as melhores respostas. Mania de me importar com o que vão pensar, julgar ou falar. O mundo não mudou não é mesmo? Se tudo continua igual, por que eu vou me preocupar? Espera que passa, você ta esquecendo de respirar. Não é tão difícil. Falsos anjos moralistas cagados de hipocrisia desfilando suas boas intenções pela terra. Eu me conheço tão bem que prefiro ser contada por mim, que uso a verdade ainda que doída e incompreendida. Mãe, me ajuda aqui, só dessa vez, eu sei que já faz tempo que eu corria pra pedir a tua ajuda, mas agora é sério. Eu não consigo respirar, ta cada vez mais abafado, meu peito dói mais. Gente, tô falando sério, minha cabeça vai explodir. Eiiiii, é sério, eu não consigo mais respirar. Qual é o próximo passo? Você disse que logo eu estaria gostando. Falta pouco, eu sinto isso. Essas sensações terríveis que não passam, das coisas que não sei, que não se encaixam, que eu não entendo, que giram dentro do meu estômago enjoado que se recusa a digerir isso tudo, que não é tudo, que é quase nada, e que quase passa, mas sempre fica. Se eu respirar passa, se eu escrever passa. Então eu vou respirar... isso, eu tô respirando, eu tô sorrindo, ta passando, ta melhorando, ta quase acabando, talvez por isso eu não vá acordar nunca mais. Nunca mais. Os falsos anjos ainda me olham analisando, mas eu já escrevo. E você meu bem, lê isso e me entrega pela primeira vez a chave da minha liberdade.
06 agosto, 2010
O mundo e todo mundo
Eu sempre achei que sentisse tudo à flor da pele. Eu sempre acreditei que eu fosse intensa, e que vivesse tudo ao máximo e muito e correndo e querendo aproveitar cada segundo de tudo, antes que esse tudo virasse nada. E eu pessimista demais sempre acreditei que o tudo não dura muito, mas eu nunca me incomodei porque sempre soube que eu abuso de tudo fácil e rápido, e logo acho que tudo é babaca demais e que nem queria tudo mesmo. Eu sempre sentindo, ou pelo menos achando que sentisse tudo com uma particularidade tão grande que me deixava pertencer a um topo de uma árvore qualquer, que seria cobiçado demais, por ser difícil demais. Até meu nervosismo é diferente, já que nervosa eu tenho ataques de riso e começo a gesticular muito e a sorrir como uma criança que não sabe se expressar, mas que os olhos falam e exprimem bem aquilo que ela não pode falar. O meu choro não poderia ficar pra trás, se chorar faz parte, eu decidi então nunca chorar. Se o choro não resolve nada, não tapa buraco, não preenche vazio, não aquece, não faz nada. Não vou chorar! Eu sempre soube, ou sempre acreditei, que este meu jeito tão “único” e tão “especial” fazia com que eu alimentasse um bicho tão terrível, tão perigoso, tão temido que o próprio Renato Russo disse uma vez com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Até quem me disse ser ímpar virou par, e eu que era tão par, virei tão ímpar que já não sei desvirar. O que agora me parece ser um erro terrível, não passa apenas de um medo do mundo e de todo mundo. O mundo e todo mundo é dança, é riso, é música, é tudo, mas escuta o meu medo de cair de novo, escuta o meu medo falando baixinho que tem pavor de chorar, que treme só em pensar no coração doer, no pânico que dá em ter que enterrar a borboletinha azul que é atrevida e que voa por toda a corrente sanguínea, e adora dar saltos e mortais no meu estômago. Isso é medo de viver? Tá, eu tenho um puta medo de viver, e como consequência eu vivo o mal da solidão. Misto de nervosismo, arrogância, ritual de sobrevivência ou servidão. Por mais que eu seja esperta, eu não passo de uma menina tola, que se acha no topo de qualquer coisa. Eu não quero mais dizer e nem sentir coisas feias que saem sem filtro de dentro e que explodem na cabeça do mundo e de todo mundo que sempre diz e sente coisas lindas que chegam filtradas, e que caem como pluma no peito de todos. Eu entendo que deixei de querer amar o mundo e todo mundo, porque cansei de amar muito e amar demais. Eu sei que é normal querer chorar, quando se tem tanta vontade de ser feliz. Eu precisava do mundo e de todo mundo pra ver o "lindo" que todo mundo enxergava e que acolhia tão bem. Mas ouve, acredita que eu sonhei que casava com você e que tínhamos filhos? E a gente deixava de ser “eu” e passávamos a ser “nós”? Eu não sei o que sinto de verdade, mas digo mesmo assim, que é pra ver se eu consigo descobrir. Eu tenho certeza que este texto saiu, porque você disse que ele sairia, e que minha preguiça de escrever passaria. Eu tenho certeza que você não sabe que eu pensei tanto em você que procurava seu nome nos muros pichados, nos cantos abandonados, nas esquinas que viram e que se abrem pro mundo. Porque eu tenho certeza de que você não é o mundo e nem todo mundo e, justamente por isso, eu queria muito gostar tanto de você, mesmo sabendo ser impossível, mas se a gente consegue segurar na mão da criança que existe dentro da gente, nós conseguimos o impossível, porque ela ainda não conhece essa palavra.
11 julho, 2010
Torto, errado e cheio de estragos
Eu comecei ciente e bem avisada. Ainda assim, mesmo sabendo que depois eu carregaria o peso enorme das conseqüências eu fui. Ah eu fui, e não sei explicar o porque de nada, já que você é torto, ao contrário nesse eterno avesso que ninguém entende e que todo mundo ama. E eu disse pra mim: “ei garota, presta atenção no caminho porque isso não vai durar, é só mais uma brincadeira de criança com algumas sacanagens de adultos”. Carreguei as horas, os minutos, carreguei minha boca pra ela sorrir por aí, carreguei meus pés, andem, corram, façam alguma coisa. Cortei o cabelo e aprendi a fazer cachos incríveis com a minha pranchinha, comprei um vestido, sai com as amigas, dancei até doer às pernas que já doíam porque entrei na academia. E mesmo assim, eu me canso. Canso por ter que me inventar em mim. Cansa ter que inventar coisas legais pra preencher esses buracos que ficaram. Minha cabeça inventou você, inventou tudo, cada parte, cada palavra, cada gesto, cada toque. Me peguei uma hora, olhando você, e foi tão rápido que pareceu uma miragem. E você vinha em flashes, passeando com a sua alegria séria e eu com a minha tristeza sorridente. Te olhei de frente, e cada dia que passa você vai te tornando a lembrança de um passado que eu não quero mais lembrar. Você e o seu jeito meio louco que a minha loucura acolheu tão bem. Você é tão errado e cheio de estragos. E me peguei olhando pra tudo isso e adorando tanto, tanto, tanto tudo isso. E não adianta, eu sei, que não tem cabimento, mas a vida tem cabimento? Então deixa pra lá, deixa eu te ver meio torto e meio estragado e achar graça disso tudo, porque o perfeito não se explica e se da pra explicar perde a graça. E deitada no seu peito você disse que sentiu saudade de sentir saudade e me olhando nos olhos você disse numa voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que depois de muito tempo você achou que tinha achado. E me abraçou forte e apertado e a gente ouviu o Ben Harper tocar e meu coração disparou e eu senti depois de muito tempo uma borboleta viajar pela minha corrente sanguínea. E eu entendi naquela hora que essa historia não daria certo. Você era um passarinho que tinha encontrado um lugar pra descansar com água fresca e um pouco de ração na minha gaiola, mas logo o seu desejo de voar por ai construindo ninhos tipo João de barro te levaria pra longe. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava abrir a gaiola pra que você pudesse ir alçar seus vôos. Eu poderia morrer porque mesmo odiando com toda a força que há no meu ser que me apertem eu amava cada apertinho seguido de risadas e de tapinhas que eu te dava. Mas ninguém morre por isso. E daqui a pouco eu vou esquecer do seu nome, e não vou lembrar que já quis morrer por conta de apertinhos e tapinhas, e a vida vai se acomodar, e eu vou voltar ao normal. Porque no fundo eu sei que não é você, nunca foi, e talvez nunca será, mas escuta a maluquice: Se você ainda gostar de mim eu prometo gostar de você também.
04 julho, 2010
Pura poesia
“Eu te apoio”. Foi assim que ela começou a conversa. É assim que ela tem começado todas as conversas. Ela era a mais adorada amiga. Eu fazia o segundo ano e ela já na faculdade, com festas, mundos, cores, musicas diferentes de mim. Ela era rock e eu pop. Ela saia e eu sorria. Ela me contava em cartas às aventuras que tinha passado. Eu de longe e de perto morria. Oi? Você é doida? O tempo passou e a gente continuou em mundos tão diferentes que ficou cada vez mais impossível sustentar esse abismo que se formava entre nós, não por nada, mas pelo mundo que levou pra longe pra que ficar perto fosse importante. Os anos se passaram e a gente se reencontrou. E dia a dia ela me mostrou o quanto é bom caminhar ao lado de quem se confia. Eram coisinhas, pequenas frases soltas. Eram atitudes que demonstravam a grandiosidade de uma mulher que vive por um coração que pulsa em favor daqueles que ela ama. Ela é rima, verso e pura poesia. Ela é dessas que vale a pena amar. Que vale a pena largar um namorado num sábado à noite pra sair pra jantar porque ta sentindo meio sozinha. Ela não é razão. Ela é pura emoção. Sempre fina, educada e preservada. Sempre correta, sempre sistemática. Sempre sorrindo fazendo pose. Sempre do alto de suas boas intenções. Parceira que cuida, que enxuga lágrimas, que oferece colorado em tardes de domingo, que estende a mão, abre a porta da casa, da vida, do mundo, pode entrar, nesse coração que é gigante sempre cabe mais, o amor tem disso, quanto mais a gente da, mais a gente tem. Ela é dessas pessoas que te dão colo, carinho e poesia. E eu achei lindo quando no dia em que eu queria sair correndo me descabelando querendo entender o por que, ela me disse que orou por mim. Que pediu pra que eu não sofresse porque ela tava sofrendo. E achei que naquela hora de alguma maneira e em algum momento, ela me mostrou que era possível acreditar, aconchegar, relaxar num mundo eterno onde as pessoas podem ser boas e amar umas as outras pelo simples prazer de amar e de fazer o bem. Acho que a vida é basicamente isso, tentar se distrair do medo que dá pensar em viver com gente que vale a pena viver. E quando um amor acaba, ainda que ela tenha sua vida, seu sono, seu trabalho, suas coisas, ela abre mão de tudo pra ouvir o que eu tenho pra dizer. Me faz rir, me deixa chorar, e me diz que o amanhã virá e que eu não preciso me preocupar porque ela vai estar sempre lá.
29 junho, 2010
Na fila
-Oi... você...
-Oi figura. Beleza?! Você vem sempre aqui?
-Não não , essa é a minha primeira vez.
-Jura?
-Juro! Por que, eu deveria ter vindo aqui antes?
-Você não pode tá falando sério, essa é a sua primeira vez aqui?
-Já disse que sim. É tão bom assim, como todo mundo diz que é?
-Não, na verdade não é não. É melhor!
-Porra, como é que eu não vim antes então?
-Sei lá, tem maluco pra tudo!
-Gostei de ti. Teu olho é meio triste. Tu é um pouco triste?
-Você é bem louca né?
-É.
-Chegou a minha vez. Você vem em seguida?
-Todo mundo diz que é bom mesmo?
-Já disse que sim!
-Então não vou não.
-Você é louca?
-Já disse que sim!
-Mas eu não entendo. E se todo mundo dissesse que era ruim?
-Aí, eu já teria ido mil vezes.
23 junho, 2010
Sacanagem pura
“O teu amor é uma mentira, que a minha vaidade quer”. É como se eu acreditasse nisso sempre. Tem sempre amores indo e vindo. Gente que chega de surpresa na vida e me rouba de mim por uns segundos. Me suspende no ar. Me faz querer acreditar, só mais essa vez, só esse pouquinho, só desse tanto que me deixa louca ainda que inteiramente racional. E eu acredito, eu sempre acredito. Eu e essa minha mania de ingenuidade que sempre me corta, que me rasga, me despedaça. Ainda que ser ingênua me pareça daqui dessa cadeira ser tola demais, eu não consigo mudar. Não posso simplesmente começar a duvidar do mundo. Ser esperta o bastante pra sentir de longe o cheiro da malandragem chegando. Olha lá quem ta vindo... A sacanagem outra vez. E ela como toda sacanagem que eu canso de dizer, é boa, porque é explicita. Sacanagem velada, escondida, que graça teria? Pode zoar, isso aí, é assim que você quer? É isso mesmo? Então ta meu bem, só essa vez, só mais essa vez. Mas veja bem, não abuse. Eu até libero, te dou passe verde, pode ir e vir quantas vezes você quiser já que os erros soltos e expostos sempre me perseguiram mesmo, eles e toda essa minha incoerência latente que salta aos olhos e pode ser sentida na pele, mas que soa como uma perfeição ainda que não entendida e me faz sentir essa retardada felicidade fazendo com eu a sinta nos lugares mais improváveis, até meu suvaco pode ficar feliz, minha unha que quebra e forma um sorriso ambulante no meu dedo. E me arrepia, e me faz querer deixar o cabelo cair pro lado pra sentir o queixo na nuca. Sacanagem pura. Nada que eu não tenha sentido antes, ou escrito, mas mais uma vez, o que pontua minha vida em momentos e me joga para a frente pra cair de cara. Sei, como sempre soube que tudo que sobe tem que cair, e tudo o que é bom um dia acaba, e que eu posso me estabacar em pedaços mais uma vez. E sei como me conheço tão bem, que vou me levantar mais e uma vez, prometendo não acreditar tanto, prometendo ter sido a ultima vez que a minha pobre e doce ingenuidade agiu sem meu controle. E logo, quando estiver inteira, eu sei que a merda volta toda outra vez. E você nesse ritmo tranqüilo de quem não tem pressa foi convidado pela minha ansiedade a colocar os pés em cima do meu coração limpo. O que significa que o meu teclado agradeceu por ter voltado a sentir meus dedos em cima de suas teclas tentando traduzir em palavras aquilo que nem eu sei ao certo o que se passa dentro de mim. Queria na verdade agradecer pelo sorriso natural, pelo silêncio nada constrangedor, pelo zelo em querer resolver problemas meus. Obrigada pela sua vontade de errar, sem ela minha vida não poderia parecer certa. Obrigada pela sacanagem pura, ainda que eu não saiba bem o que isso quer dizer na verdade.
21 junho, 2010
Na hora certa
Fiz listas intermináveis. Fantasiei a realidade e quase acreditei nela. Não dei chance pra quem merecia. Falei o que não devia e me calei quando devia ter falado. Fui chata, megera. Coloquei pressão. Fui radical. Não deixei ninguém entrar na minha vida. Não liberava meu coração. Ele era seu. Só seu. Ainda que despedaçado. Ninguém o levaria de você. Eu não permitiria que roubassem ele de você. Eu te entreguei a minha fidelidade. Toda aquela coisa complicada e sublime do amor na minha cabeça que entrava devastando como um bicho mal educado, invadindo e se apoderando de mim, pondo em cima do meu coração limpo seus pés imundos calçados com suas botas sujas de tanto andar por ai. Todos os "porquês" mal respondidos, todas as mágoas ainda latentes, tanta saudade, tanta tristeza, tanta falta. O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acabou. Me rasgou por dentro, fez um corte profundo, o amor se encerrou bruscamente, e transformou todo céu azul em cinza, e fez o sol parecer uma afronta. Me fez querer xingar o mundo por ele continuar seguindo seu ritmo.Me fez tirar de ouvido as notas tristes de uma música e depois cantarolar em sinfonias em choros acústicos. Minha cabeça pede tristeza, minha alma pede silêncio. Meu coração quer bater sem vontade, descompaçado pela força da tristeza. Eu querendo chorar a última piada, eu querendo doer à última certeza, eu querendo passar as noites em claro. Eu querendo ver a fratura exposta. Querendo definhar em praça pública, querendo rasgar a alma em pedacinhos pra dizer que acabou. Eu lembrei e não doeu. E eu coloquei musica triste pra doer. Vi as fotos, li as cartas. Não doía nada. Nem uma pitada. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde a magia, músicas idiotas deixam de ter todo o sentido do mundo. Passou a dor do amor, veio à trégua, o coração limpo, os olhos secos, e a alma vazia. A vida ficou tranqüila demais. O meu desejo morreu. E eu renasci limpa e pura, sem uma gota de amor.
23 maio, 2010
O menino mais bonito do mundo
Era outono. O vento era um pouco frio e fazia um courinho seco no canto da minha boca. Foi assim que eu vi o menino mais bonito do mundo. Ele era o menino mais bonito do mundo, eu não tinha nenhuma dúvida. Quem poderia ser mais bonito do que ele? Ninguém. Eu nunca tinha visto um menino tão bonito assim em toda a minha vida. Ele tinha os cabelos claros que me lembravam o sol, o sorriso de orelha a orelha com todos aqueles dentes brancos e perfeitos, os olhos escuros que me faziam desejar mergulhar na imensidão da escuridão daquele olhar pra ver tudo o que ele já tinha visto por aí. E ele, do alto de sua absurda e dolorosa beleza, se exibia pra mim. Ele nunca me olhava. Ele nunca me via. Era como se ele me mostrasse que eu era só uma menininha engraçadinha com um courinho no canto da boca. Todo mundo olhava pra ele. Todo mundo gostava dele. Quem não gostaria do menino mais bonito do mundo? Homens, mulheres, velhinhos, crianças, cachorros, pombas, formigas, passarinhos. Todos olhavam pra ele e confirmavam: sim ele é mesmo o menino mais bonito do mundo. Eu não sabia nada dele. Não sabia seu nome, quantos anos ele tinha, qual era a sua cor favorita, aonde ele estudava, o que ele fazia, pra que time torcia. Nada, eu não sabia nada. Só sabia que sábado eu poderia sentar e esperar que ele aparecesse. E quando ele aparecia, eu desejava que o tempo parasse de ser medido. Eu desejava poder congelar o tempo e o mundo pra que eu pudesse tocar nele pra ver se ele era mesmo real. E eu passava perto dele, eu passava na frente dele, mas não conseguia olhar pra ele. E todo sábado por 30 minutos o menino mais bonito do mundo aparecia pra mim. E pronto, acabou, agora só sábado que vem. Não me importava, eu não sofria, eu esperava, e ele aparecia, e a vida seguia, e eu sorria. Mas eu sentia vontade de falar com ele. Ei menino, qual é o teu nome? Tu já me viu passando por aqui? Posso te confessar uma coisa? Sabia que eu só vou ali na farmácia fazer de conta que vou comprar um remédio pra poder passar do teu lado? Mas eu nunca falei com ele. Eu me mudei. Fui embora sem saber o nome do menino mais bonito do mundo. Numa festa, um homem chegou perto de mim e falou: “eu te conheço de algum lugar sabia”? Não eu não sabia, e não tinha a menor idéia. “você era minha vizinha não lembra”? Era o menino mais bonito do mundo. Demorou 10 anos pra que eu falasse com ele e soubesse o seu nome. Talvez, antes eu não tenha percebido porque era a inocência da minha infância que me fazia ver tudo assim, tão bonito. Mas hoje ele era só um homem, tão comum, tão igual, divertido, me atrevo a dizer, mas extremamente normal.
22 maio, 2010
Eu amo esse cara
“Há alguns dias, Deus – ou isso que chamamos assim, tão descuidadamente, de Deus – enviou-me certo presente ambíguo: uma possibilidade de amor. Ou disso que chamamos, também com descuido e alguma pressa, de amor.”
Indicações para um final de semana
Meus motivos ainda são motivos
O último capítulo da sexta temporada da Grey’s Anatomy chegou ontem pra mim. Eu comecei a me viciar nessa série em Portugal. Bastou um episódio pra que eu descobrisse que amava aquilo e que não conseguiria me desvencilhar da pergunta “e agora, o que será que vai acontecer”? As primeiras duas temporadas o Derek bonito de doer à alma eu vi em dois dias (eu fico sem dormir, por exemplo, não é muito normal, mas é assim que sei gostar). A Meredith era super complicada, se queria não sabia se queria, quando não queria fazia. Enfiava os pés pelas mãos, não sabia chorar. Tinha problemas em se entregar. Mas tinha sempre a Cristina ao seu lado, tão complicada quanto, mas que as duas viram nas suas complexidades excelentes companheiras, e deixavam que as suas maluquices andassem juntas, enquanto elas riam e por vezes choravam. Eu ficava tentando ver um pouco de mim em cada personagem. E me encontrava. Eu já chorei e fiquei dois dias malzona quando o George morreu, passei o dia sorrindo quando a Izzie casou com o Karev. Eu sei eu sei, é só uma serie, é ficção, não é real. Eu posso explicar a bizarrice ocorrida com a minha pessoa na noite de ontem. Enquanto tinha festas e convites pra sair, eu disse que ia pra casa, por que tinha que terminar umas coisas importantes. Era a serie, não podia passar mais nenhum dia sem saber o que ia acontecer com todos aqueles casais, com a Meredith que andava tão feliz e serena, com a Cristina que descobriu que o Hunt não sabia se gostava dela de verdade. E eu chorei. Ah eu chorei. Foi tudo tenso. Nos dois últimos capítulos um cara do inferno veio pra se vingar porque a sua mulher morreu e tinha assinado um termo de proibição pra ressuscitá-la, caso fosse necessário. E quando foi, a equipe médica não podia fazer nada. E ele quase morre com a sua amada. Resolveu então, se vingar de todos aqueles que tinham contribuído pra sua quase morte. Aí ele conseguiu dar um tiro no peito do Derek, mas a Cristina conseguiu fazer uma cirurgia. O cara do mal surge de novo no meio da cirurgia e ameaça matar todo mundo se eles não parassem de operar o Derek. Ai surge a Mer, e se oferece pra morrer no lugar dele. Ela tava grávida. Nem lembrou de nada. Ela disse: “Se você me matar ele vai sentir muito mais”. Um rio de lágrimas, com direito a tremedeiras, suores frios me fizeram pensar seriamente que talvez eu não fosse assim, tão normal. Definitivamente não era normal sofrer assim por um capítulo de série. (eu sei que esse texto ta meio ridículo, mas eu precisava escrever isso, desculpa). Mas sabe o que acontece? Eu pensei no que meu novo e engraçado amigo de email de fim de dia vem me falando à semana inteira. A gente vai escolhendo as pessoas, aceitando o rumo que a vida vai tomando por puro medo de ir em busca daquilo que se acredita. Porque gente, enquanto o homem do mal andava pelo hospital matando a galera, as pessoas iam se decidindo, entende? O Hunt que não sabia se amava a Cristina viu que amava. O Karev que dizia que queria se separar da Izzie, que chegou a assinar os papéis do divórcio, na hora da dor (porque levou um tiro) chamava o nome dela e pedia pra que ela não fosse embora nunca mais. Por que, meu Deus, por que a gente não para pra ir em busca daquilo que a gente realmente quer? E o pior, como a gente é capaz de aceitar que aquilo que a gente ame saia de perto da gente? Por que a gente se resigna a aceitar o que o destino põe na nossa frente? É um verdadeiro tormento lutar por aquilo que se quer de verdade. Lutar cansa né? Parece que as pessoas não sabem mais amar. São incapazes de continuar sentindo (e eu já falei isso uma vez). O Derek sobreviveu ao tiro, a Meredith teve um aborto espontâneo pelo grau de emoções que teve. E todo mundo se decidiu. Todo mundo viu o que era mesmo importante na sua vida, porque veio aquele velho clichê “viva como se fosse o ultimo dia da sua via, porque um dia será”. E eu acabo com esse texto horrível, sem saber se você teve saco pra me ouvir dizer que eles chegaram ao fim e se decidiram. Eu só não faço o mesmo por que os meus motivos ainda são motivos...
20 maio, 2010
Chás, bolachas e séries preferidas
Essa nossa intensidade nunca foi compreendida. Na verdade, a gente sempre foi esperta demais pra sacar as diretas e indiretas da vida. Desde o começo a gente soube da maldade do ser humano, mas sempre preferiu acreditar, mais e uma vez, e como troca justa viver uma historia pra que pudéssemos contar, e dar essa chance pro mundo nos amar do tamanho que a gente ama o mundo. Você minha querida e melhor amiga, me ensinou a viver. Você que alivia minha neurose, que surge tão linda e tão engraçada, me dizendo que crescer dói, mas que é preciso sentir essa dor. Você que sempre entende a minha pressa em sentir, em sorrir, em chorar. Você que ouve repetidas vezes tudo o que eu quero falar, pra ver se eu consigo entender o que o mundo faz comigo. Entender essa mistura de sentimentos que sinto todos os dias. Você que chora comigo. Que me admira e que adora as linhas que eu escrevo e sem pudor nenhum digo o que eu sinto, ainda que eu não saiba ao certo o que eu sinto. Você é demais. É com você que eu faço piada da própria dor, porque só quem tem muita cumplicidade é capaz de achar graça na própria desgraça. Minha melhor e mais adorada amiga, sempre do alto de suas boas intenções, equilíbrios e com um amor gigantesco capaz de entender a amiga que se perde e se descabela. Nasci com um troço aqui que ninguém entende, mas você entende, e me tira desse mundo frio e me leva pra um canto quentinho, com chás, bolachas e séries preferidas. É com você que eu chorei fim de amores. Era com você que eu desejava viajar pra lugares bem distantes e viver aventuras inimagináveis. Deu vontade de te abraçar de novo, ainda que rapidinho e dizer aquele “oraaa” tão cheio de amor que eu te digo. Vontade de voltar no tempo e ter ficado mais contigo. Vontade de voltar a ser criança e ouvir de novo todas as historias que você me contava. De deitar na rede e ouvir nessa voz tão doce e tão suave as músicas de Cabral. De tentar falar de trás pra frente, e apesar deu ser assim tão inteligente eu não conseguir acompanhar, ver você sem entender como eu não entendo, é engraçado. Eu sempre disse: eu tenho mais que uma mãe, eu tenho uma amiga. Minha melhor amiga. E eu troco todas, todas elas por você. Saudade dessas que doem e quase não cabem no peito - Minha mãeamiga.
16 maio, 2010
É apenas uma saudadezinha
Eu tô numa fase bem legal e bastante tranqüila na minha vida. Eu consegui desacelerar o peito, reduzir a marcha do meu coração e respirar suavemente. Mas tem dois dias que você não sai da minha cabeça, e eu vejo todas as fotos, ouço musicas que me fazem lembrar você. Olho pro canto e quando percebo tô olhando pra um canto e vendo você. Não sei se foi o fato de ter sonhado, se foi porque vi um filme lindo lindo, e essas coisas muita lindas me fazem lembrar você. Não sei se é porque agora ta sol, e você adorava sol e ficava tão lindo e tão feliz. Ou se porque nesse exato momento, eu lembro que era à hora de falar com você. Só sei que eu lembro de coisas tão boas que é impossível não sentir saudade. Acho normal. Acho perfeitamente normal lembrar com carinho que você sempre dava um jeito de falar comigo, estivesse do outro lado do mundo. Em hotéis, viajando, andando de balão. Não importava. Você dava um jeito de falar que tava lembrando de mim. E mesmo a gente não estando mais junto, estivesse você namorando ou prestes a saltar da pedra da gávea, dava um jeito de falar comigo. Era como se dissesse, sem dizer “eu sei que já faz tempo, mas ainda amo você”. E não adianta, eu lembro mesmo com saudade, de todas as manhãs engraçadas que tivemos, de ficar em cima do braço do sofá e esperar você chegar e me jogar nos seus braços. Também me faz bem lembrar que você tava sempre sorrindo. Tava sempre contando uma historia engraçada, fazendo uma palhaçada pra me ver sorrir. Coisas que só a gente entende. Eu lembro quando pintei o cabelo de preto e fomos pra aquele bar em Cascais da sinuca e você dizia que tava adorando porque eu parecia uma fugitiva e tava sexy e misteriosa. Eu tenho saudade de mil coisas e todas essas mil coisas sempre caem na mesma única coisa de que eu tenho tanta saudade: de você. Você me fazia sentir a pessoa mais especial do mundo. E me fazia sentir que o mundo era simples, era bonito, e às vezes eu quase acreditava que o mundo era perfeito, porque você tava nele. Eu lembro de cada segundo, de cada alegria! Eu lembro como se fosse agora, das suas palavras, do seu sorriso, do seu abraço esmagador. Lembro do seu jeito manhoso em pedir as coisas. Lembro de cada receita que você inventou e sempre ficou sensacional! Eu lembro do seu olhar, da sua alegria contagiante, das composições que eram feitas e no dia seguinte não eram lembradas. Lembro dos milhares de e-mail’s escritos só pra dizer que te amava. Lembro quando a gente tava junto, você nunca queria que eu fosse embora. Lembro das festas, dos tragos, da dancinha trance que só você sabe fazer. Amamos intensamente, vivemos intensamente, choramos intensamente, é isso que nos define. Intensidade, nas emoções, nas palavras, e no abraço... E que abraço bom! Realizamos nossos sonhos, fizemos o que podia e o que não podia pra sermos felizes... Lembro das nossas viagens, das nossas loucuras, e tudo isso fez com que fossemos o máximo. Aproveitamos como nunca, e fomos felizes como ninguém... E assim nós seguimos, por alguns bons anos, perfeitos, e tão parecidos ainda que tão atraídos mutuamente pelos nossos opostos. A gente era parecido principalmente porque topava as coisas mais malucas como, por exemplo, brincar de pegadinhas em shopping Center. De colocar o laser na casa do vizinho e ver ele desesperado pela janela da cozinha. Soltar balões na rua no dia das crianças. Nunca precisou de um motivo, de uma justificativa. A gente topava tudo e qualquer coisa. Eu tenho saudades de tudo. Da gente acordar e você me abraçando pra ficar ainda mais perto. De você pegar no meu sinal que eu odeio e que todo mundo acha feio, e você dizer que adorava ele, porque ele era meu e só eu tinha esse sinal no mundo, e de quando você me apertava no escuro e falava, baixinho: “ai, coisa mais boa!”. Não é nada. Não tem motivo, nem porque e nem pra quê. É apenas uma saudadezinha. Gostosa, tranqüila, bonita, saudável. Dedinho!
29 abril, 2010
Saudade de Abril
Não tem posição. Não tem dia. Não tem hora. Nada faz passar. Não tem risada que encubra. Não tem filme que te faça esquecer. Fugir não adianta, porque em todos os cantos ela vai estar lá. Dormir, correr, viajar, pular, nadar, malhar. Quebrar um prato. Fazer alguma coisa terrível. Ser má, cruel, ou simplesmente bondosa, caridosa. Nada. Ela não admite, não permite, mas não é nada. É o que então? É esse sentimento que quando o momento tenta fugir da lembraça pra acontecer de novo ele não consegue. Porque “pra saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso Fernando Pessoa escreveu: ‘Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre o que desejar...’ A alma é como um queijo suíço, cheio de buracos que doem no seu vazio... Há um esquecer que é uma felicidade. É como o mar que limpa e alisa a areia que os homens haviam pisado na véspera”. E esse sentimento que quase não cabe. Que quase não dá pra suportar. Sempre cabe, e sempre dá. Porque ela sempre fica. Sempre. É preciso aprender a conviver com ela sem desespero. Ela é o que é. A única coisa que resolve é ser madura. Mulher. E seguir com a vida. Deixando ela num canto sombrio do nosso coração. E como disse a grandiosa Martha Medeiros "Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche". E ela fica lá, imperial, centenária, senhora do mundo. Como se isso fosse alguma coisa pouca, ainda que seja absurdamente só. É só saudade. Eu sei, eu sei, o eterno clichê “isso passa”. Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais sentir falta. É triste saber que um dia vou simplesmente lembrar e não sentir mais nada...
15 abril, 2010
Uma "cerva" gelada, por favor!
Simplicidade. Foi essa a palavra que martelou durante a noite toda na minha cabeça. É assim que a gente se entende. É assim que esse nosso arroz com feijão de cada dia é digerido. Tomar um café. Ter com quem falar. Saber ouvir. É simples amar quando a gente vê que o outro faz tudo pra te agradar. É simples desejar a companhia de quem te entende tão bem, que fala a mesma língua, que conhece o teu olhar, o teu jeito de andar. É simples querer tomar uma "cerva" gelada durante os intervalos. É simples querer dividir os revezes da vida com quem não te julga, mas que te entende. Que não te condena, mas que te aconselha. É simples fazer das obrigações momentos de pura diversão quando a gente ta do lado de alguém que só te faz sorrir. É simples ter a perfeição do teu lado mesmo ela sendo tão imperfeita. Eu sei que a simplicidade da nossa amizade faz mesmo com que eu ame isso que a gente tem. Essa relação sincera de pura cumplicidade, de muito companheirismo. A gente é brother. Tu é realmente a minha parte máscula. Eu sou todos os palavrões tão bem dados que tu já deu. Eu sou o teu sorriso espalhafatoso depois de uma piada. Eu sou as tuas tiradas geniais. Eu sou o teu humor negro. Eu sou o teu interesse em querer aprender mais. Eu sou quase a Karen, o problema é que eu queria mesmo ser o Hank. Eu sou infinitamente mais a tua companhia. Porque eu sou os teus ouvidos, a tua boca . sou teus braços, pernas. Eu sou mesmo um pouco de ti, porque consigo ver em ti, um monte de mim. Porque tu é o único amigo que eu tenho que entendeu essa minha vontade de amar o mundo. E o único que sempre entendeu também, o meu choro, porque se é quase impossível amar alguém, o que dirá amar o mundo.
13 abril, 2010
Eu e meu freela
Eu sempre curti a idéia, mas sempre achei que ela não aconteceria comigo, pelo menos agora. Sim, eu sou daquelas que gosta das coisas muito certinhas, qualquer sinal de muita liberdade me tira o sossego, me rouba a paz. Tem que ser preto no branco. Mas tinha uma admiração brutal por aqueles que conseguiam sem pudor, viver assim, deixando levar. Na onda do tudo há seu tempo. Eu que sempre defendi que “a realidade se forma em volta do compromisso”. Mas não tem sempre aquela história de que o mundo prega peças? Ainda bem que não existem verdades absolutas. Eu tô freela. Pois é, o que acontece é que tudo mudou. E eu to freela agora, e que sensação maravilhosa é essa? Em plena segunda me reuni com o pessoal pra comemorar que eu e o meu freela estamos bem, somos livres, nos amamos, e somos muito felizes. Imaginem a minha felicidade ao sentir a liberdade? E agora, eu fico por ai, exibindo o meu sorriso leve, porque além de tudo isso, eu emagreci. Não sinto as dores do mundo. E faço desse pequeno momento, ainda que tão superficial, de uma alegria profunda, que deixa essa superficialidade brilhar sem me importar com o que vão achar. E eu entrego de mão beijada a minha alma e o meu sorriso leve, pode pegar sem cerimônia. Eu não sei quanto tempo isso vai durar. Até onde essa falta de compromisso todo vai me fazer ficar assim, radiante. Pode ser que amanhã mesmo, eu queira tudo de volta. Queira respirar o ar do compromisso, dos contratos, queira a segurança. Volte a desejar o amparo firmado entre as partes. Eu sei que hoje eu tenho horas livres, e posso voltar a pensar um pouco mais em mim. Eu sei que hoje, eu voltei a estar no centro da minha atenção, e posso me dar ao luxo de esquecer, ainda que por algumas horas as cobranças da vida adulta. Eu sei que hoje, isso era o que eu precisava pra me desarmar, sorrir sem dúvidas, sem as chatices constantes que só as obrigações te podem dar. Eu sei que era disso o que a minha alma precisava. Esse bendito freela, apareceu pra me deixar leve. Sorrindo de bobeira. Dançando feito idiota de tanta alegria. Cantando pro mundo. Acreditando que tudo pode dar certo. Fazendo mil planos. Vivendo sem questionar. Sim, ele conseguiu fazer com que eu me sentisse extremamente feliz. Eu to tão feliz que tirei férias dos meus textos melancólicos e cheios de neuroses. Quando acabar eu volto.
31 março, 2010
Eu vou ter que terminar com você!
21 março, 2010
Que assim seja
Eu seguro uma risada. A cada dia que passa eu fico mais diferente. Abro brechas nesse meu mundo cheio de regras. Ligo a música na maior altura. Pego meu biquíni e vou pro sol. Pra ele eu danço e grito dessa minha loucura santa. Solto a tal risada presa. E eu obcecada demais pelas minhas citações. E quem diria. Quem diria. Eu faço tudo o contrário agora. Ou melhor. Agora eu faço. Já não há espaço pra mim dentro do meu corpo. Dentro da minha alma. Mas pra ele. Pra ele eu salto. Corro. Grito e fico da cor do pecado. Eu só quero ele. Sem protetor. Se for pra queimar, que queime logo. Não sei, talvez por acreditar assim, já sem medo. Já que eu me risco e rabisco. Se não der certo. Se der merda. Que ela seja justa. Já que as coisas são como são. Pois que assim seja. Não quero me recolher. Não quero parar. Eu sai da minha cabeça e entrei de cara no meu coração. Como diria João Guimarães “o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo”. Como diria Robert Plant “Com apenas uma palavra ela consegue o que veio buscar.
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso”. Ou como gritaria Clarice Lispector “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca”. Pois que assim seja!
19 março, 2010
Em busca do maldito equilíbrio
16 março, 2010
O amor matou o meu amigo
Ele encheu os pulmões e gritou bem alto. EU TE AMO! Aquilo me atingiu como um tapa na cara. Esses estalados que deixam o rosto bem avermelhado trazendo uma ferida eterna e incurável no peito. Não, você não! Você não pode me amar. Todos menos você! Quando o meu mundo desabar e eu perder o equilíbrio pra quem eu vou recorrer? Quando eu tiver medo, me sentir insegura, quem eu vou chamar se não você? Quando algum garoto me fizer sentir borboletas no estômago pra quem eu vou contar? Quem será o meu melhor amigo? Quem vai me encorajar a romper as barreiras que eu mesma crio pra mim? Quem vai me ouvir tarde da noite quando quiser simplesmente falar? Maldito seja você com esse seu amor carnal, baseado em desejos reprimidos e passageiros. Mil vezes maldito! Eu quero o amor da nossa amizade. Da nossa simplicidade repleta de cumplicidade. Para com isso. Para de querer viver uma fantasia. Para de esperar o momento em que o príncipe vai chegar, porque isso não vai acontecer. Isso só acontece nesse teu mundo de conto de fadas, nessa tua cabecinha fértil. Sou eu, que está do teu lado na hora que tu mais precisa. Sou eu, que espero acordado o telefone tocar pra ouvir a tua voz com aquele ‘oie’ mais doce que só tu sabe dizer. Sou eu o teu amigo e o teu amor. Pra que fugir disso? Por que não deixar isso acontecer? Uma vez eu tive um amor e um amigo. Quando o amor foi embora ele levou consigo o meu amigo. Meu melhor amigo. Não vou permitir que isso aconteça de novo. Não dizem que os amores vão e que os amigos ficam? Deixa esse amor ir embora. Manda ele pra puta que o pariu. E ele foi. E eu fiquei sozinha...
10 março, 2010
Está na hora
09 março, 2010
A tia do sorriso na faixa
eu NUNCA vi chaves
Isso mesmo que você acabou de ler. Eu nunca vi chaves. Nenhum episódio se quer. O episódio de Acapulco que todos dizem ser o melhor? Nunca vi. Eu sempre soube que a chiquinha chora por qualquer coisa, que o kiko é o esnobe, a dona Florinda super protetora e apaixonada pelo prof. Girafalez, a bruxa do 71 'mal comida', o sr Madruga é o frustrado, e o Chaves um moleque de rua. Mas eu nunca entendi o porquê das pessoas gostarem tanto e se surpreenderem de uma forma grotescamente estúpida quando eu digo que não curtia. E me dizem. Você não é feliz! Não teve infância! Eu não gostava de televisão. Quando o sinal tocava era hora de ir pra casa eu ficava triste. Adorava estar na escola. Eu fazia futebol, handebol, natação, fazia apostas, brincava muito e estudava. Minha mãe trazia livros com fita cassete pra ir lendo e acompanhando as aventuras de Ali Babá e os 40 ladrões, das princesas... Isso sim, era ser feliz. Eu me via dentro de cada história. Chorava com as princesas. Odiava as malvadas. E aprendia a criar um mundo muito meu. Ir pra casa e ver tv? Isso sim, era sem graça. Almoçava correndo pra poder ter tempo de brincar mais. Ficar sentada vendo chaves? Isso sim, era desperdiçar a minha infância. Eu fui criada pra não ter medo de nada: desde viagens solitárias pela Europa a resolver coisas em banco ainda adolescente. Eu brincava na rua. Nadava sozinha. Subia em árvore, apostava corrida em cima do muro. Jogava bola na rua com meu irmão e os amigos dele. Fazia manobras radicais com meu patins. Adorava pular as calçadas. Meu joelho é meio de menino. Cheio de marcas. E exibir as minhas cicatrizes e contar o motivo de cada uma era como exibir um troféu. O resultado disso é que não tenho medo de nada. Nunca me incomodou ter que resolver tudo ainda muito nova. Quando eu ia buscar a minha irmã na escola, eu adorava, dava uma sensação de ser mais velha, madura. Eu não fico tensa pra resolver os revezes da vida. E isso fez com que eu aprendesse a ter um senso de vida, liberdade, magia, curiosidade, criatividade que Chaves nenhum seria capaz de me dar. Tive sorte. Hoje, eu encontrei o que me faz feliz. Eu sou uma mulher literalmente realizada. E devo isso a minha infância, essa mesma que tiveram a ousadia de dizer que eu não tive. Isso tudo me ensinou a inventar um mundo rico, enorme e possível dentro da minha cabeça. Me ensinou a viver com coragem dentro de mim, a ser minha melhor amiga e fiel conselheira.


