16 novembro, 2015

FAZ UM TEMPO ESTRANHO LÁ FORA

Faz um tempo estranho lá fora. Dá pra ver pelo reflexo das pessoas. Eu sempre fui de me inspirar pelo reflexo das pessoas, mas elas ficaram muito chatas de uns tempos pra cá. Vão dizer que não tem nada a ver, que quem ficou chata fui eu, mas eu sei que não é verdade. Alguma coisa aconteceu. Alguma coisa mudou tudo. Talvez tenha caído um meteoro invisível que soltou um gás e fez todo mundo ficar bobo demais, falando demais, sendo demais. Pelo que eu percebi, o mais importante agora é ter uma opinião. Se você não tem uma opinião, você tá fora. E se você tiver uma opinião diferente você é um idiota. Não exitem outras possibilidades. O mundo virou um enorme preto no branco, mas na maior parte do tempo as coisas são cinzas.Tá tudo turvo e faz um tempo estranho lá fora. Por isso eu prefiro ficar aqui dentro reclamando de tudo. E vão falar que eu não me dou chance de ser feliz, mas a verdade é que tá todo mundo muito chato mesmo. E eu me enterro na minha arrogância de achar que  vão falar sobre qualquer coisa superficial desinteressante ou sobre alguma coisa que eu já sei e pensei.


Marcela Picanço

11 novembro, 2015

Vai aqui uma relação de um garimpo feito hoje pela manhã no intervalo do trabalho. Vou tentar ver a lista e depois voltar pra comentar minha percepção sobre eles.

  1. Experimenter,  um filme sobre o psicólogo Stanley Milgram, que ficou conhecido na década de 60 por seus experimentos com obediência. Dá uma olhada no link e assista ao trailer, da muita vontade de ver né?
  2. Suffragette, Mulheres que entre o final do século 19 e o começo do século 20 lutaram e conquistaram o direito ao voto. p.s: já amo a trilha.
  3. A garotaDinamarquesa, Só pelo trailer eu fico boquiaberta, sem saber o que pensar. E o trabalho do Eddie Redmainy parece ser tão sensível... é esperar pra ver.
  4. Grace de Mônaco, (esse ta passando em Goiânia) O casamento de Grace Kelly (Nicole Kidman - que nunca envelhece) e o príncipe Rainier III (Tim Roth) foi considerado um conto de fadas na vida real quando aconteceu, em 1956. Cinco anos depois e com dois filhos, a verdade é que Grace está insatisfeita com a vida no palácio e o distanciamento do marido.
  5. IrrationalMan,  um filme do Woody com Emma musa Stone e Joaquim charmoso Phoenix no papel de um professor de filosofia que se envolve com a aluna.



Ta aí minha lista. 


14 outubro, 2015

Respira, inspira, não pira

Foi uma viagem sonhada por dois anos. Ela ganhou cofrinho, pasta no celular com fotos, agendas das coisas que faria, dos lugares que eu comeria. Visualizava as manhãs correndo na praia cedinho, com o sol batendo forte no rosto. Os drinks que tomaria logo cedo para entrar no clima. Tudo foi planejado. Mas a vida é uma caixinha de surpresa. Nesses dois anos, o amor se foi, pelo menos ele foi, porque o amor mesmo continua aqui comigo. Mas o sonho da viagem não. Era meu sonho. Eram meus planos, né? Nada mais justo do que eu correr atrás para realizar. Ganhei de presente no mês do meu aniversário um “paquera”, charmoso, #ohsorte, eu que andava numa tristeza só, vi ele chegando leve, suave, como quem não quer nada, mas querendo tudo. E como a vida é essa caixa louca, adivinhem só para onde ele estava indo embora? (ah, ele tb tava indo embora) pro lugar dos meus sonhos. Era muita coincidência, não era não? Daí ganhei minha passagem para o paraíso. - Vá minha filha! Foi o que minha mãe disse antes de comprarmos a passagem. E eu fui. Foram 25 dias de espera, todos os dias trocando mensg. Fotos e atualizações. Até que o dia chegou. Eu nem acreditava. Tive vontade de chorar quando olhava o céu mais estrelado que meus olhos já viram. Chorei, quando sentei sozinha na praia e vi o sol se pôr como um rei. Sorri todas às vezes que entrei no mar e fiquei naquela aflição de arrumar biquíni. Quando conheci pessoas interessantes, tive vontade de colocar no meu bolso para ter sempre ao meu lado. E me lembrei do amor que partiu todo dia. Não dá para negar. Mas pedia sempre que lembrava: Por favor, por favor, me deixa viver esse sonho tranquila. Eu só quero um bocado de paz e de alegria. E ele sumia do meu pensamento. Ele ia, para depois voltar em outro momento. Foi tão minha a viagem, que esqueci do paquera. Esqueci que estávamos juntos. Esqueci de qualquer bondade, doçura ou candura. Fui seca, fria e distante. Não que tivesse agido por mal, ou premeditado, não foi isso. Eu simplesmente esqueci que ele estava ali. E os homens que não negam a raça, se encantou, apaixonou, disse que eu era isso e aquilo outro. Eu não queria nada daquilo. Queria o mar, o sol na cara, o drink logo cedo, lembra?  Eu não queria outro amor, pq ta difícil mandar esse embora, o que que eu vou fazer com um novo? Não da. Ainda não. Voltei. Correndo pra achar o portão de embarque (pq sempre me perco) me deu uma dor no peito. Um nó na garganta. Meu Deus, o que foi que eu fiz? Pq eu to querendo chorar agora? Pq eu to querendo o colo da minha mãe? O que aconteceu nesses dias? Alguém me explica? Ninguém me explicou nada. Chorei sentada no saguão de embarque. Chorei querendo viver uma fantasia. chorei quando vi que a fantasia me cansa. Ainda choro pq queria muito que alguém me explicasse o que realmente estamos fazendo aqui, e se pudesse, me adiantasse um pouco o final da historia, naquela parte que tudo da certo.

27 julho, 2015

Outros caminhos.

A despedida na maioria das vezes é sempre uma coisa dolorosa. Alguma coisa acabou. Alguém foi embora... Uma fase terminou... Às vezes a gente chama de despedida justamente por não saber mais quando vamos ver aquela pessoa ou simplesmente porque a gente não vai saber mais. E isso de não saber mais, acho que é uma das coisas que mais doem, pelo menos pra mim. Eu não vou mais saber do seu dia. Dos seus medos, alegrias, nada... Acabou! E hoje eu me senti assim. Me senti como se pela primeira vez eu me desamarrasse de você. Eu sempre fico amarrada por um fio de alguma coisa. Todos os nossos términos deixaram algumas coisas para trás que faziam com que a gente precisasse se ver de novo, falar de novo... Um chip, um livro, um pendrive, um pedido de desculpas, um amor. Mas hoje eu senti que eu estava livre. E ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz, eu fiquei triste porque eu sabia que esse era o nosso fim. Eu sempre quis viver uma história com você, mas percebi que a nossa história era essa. Nem sempre as coisas precisam seguir uma ordem exata ou um fluxo. Eu quis muito um “feliz para sempre” ao seu lado. Queria aquela historia de dois velhos no sofá tomando um vinho enquanto escolhiam o vinil da vez. O tempo embaralhou tudo e a gente trocou todas as ordens. Eu gostava das suas frases soltas seu senso de humor tímido, e principalmente, quando você me olhava com um brilho nos olhos e colocava o polegar tampando seus lábios enquanto analisava a cena e suas falas. Eu não vou dizer que amadureci o suficiente para entender os porquês da vida. Eu ainda não entendo. Mesmo! Mas eu prefiro acreditar que as coisas duram o tempo que elas têm que durar, por mais que a gente não aceite muito esse tempo. O que aconteceria lá na frente? A gente não sabe. Acabou assim para que nós dois soubéssemos o quanto combinamos, o quanto nos admiramos, mas que amor não conseguiu salvar o que nós estragamos. E acho que essa saudade vai fazer mais por nós do que esse amor. O nosso amor durou um milésimo de segundo, que foi um piscar de olhos. Eu olho pra você e eu consigo entender o mundo inteiro. Eu nem sei explicar isso, mas é a coisa mais bonita que eu já senti. Nós amamos a tentativa de fazer uma historia feliz. Porque no fundo, era só isso que a gente queria – ser feliz! E nós fomos. Fomos muito! Fomos duas pessoas apaixonadas que têm a mesma sintonia, mas que decidiram tentar ser feliz em outros caminhos. 
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