31 março, 2010
Eu vou ter que terminar com você!
21 março, 2010
Que assim seja
Eu seguro uma risada. A cada dia que passa eu fico mais diferente. Abro brechas nesse meu mundo cheio de regras. Ligo a música na maior altura. Pego meu biquíni e vou pro sol. Pra ele eu danço e grito dessa minha loucura santa. Solto a tal risada presa. E eu obcecada demais pelas minhas citações. E quem diria. Quem diria. Eu faço tudo o contrário agora. Ou melhor. Agora eu faço. Já não há espaço pra mim dentro do meu corpo. Dentro da minha alma. Mas pra ele. Pra ele eu salto. Corro. Grito e fico da cor do pecado. Eu só quero ele. Sem protetor. Se for pra queimar, que queime logo. Não sei, talvez por acreditar assim, já sem medo. Já que eu me risco e rabisco. Se não der certo. Se der merda. Que ela seja justa. Já que as coisas são como são. Pois que assim seja. Não quero me recolher. Não quero parar. Eu sai da minha cabeça e entrei de cara no meu coração. Como diria João Guimarães “o que é doideira às vezes pode ser a razão mais certa e de mais juízo”. Como diria Robert Plant “Com apenas uma palavra ela consegue o que veio buscar.
E ela está comprando uma escadaria para o paraíso”. Ou como gritaria Clarice Lispector “Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato... Ou toca, ou não toca”. Pois que assim seja!
19 março, 2010
Em busca do maldito equilíbrio
16 março, 2010
O amor matou o meu amigo
Ele encheu os pulmões e gritou bem alto. EU TE AMO! Aquilo me atingiu como um tapa na cara. Esses estalados que deixam o rosto bem avermelhado trazendo uma ferida eterna e incurável no peito. Não, você não! Você não pode me amar. Todos menos você! Quando o meu mundo desabar e eu perder o equilíbrio pra quem eu vou recorrer? Quando eu tiver medo, me sentir insegura, quem eu vou chamar se não você? Quando algum garoto me fizer sentir borboletas no estômago pra quem eu vou contar? Quem será o meu melhor amigo? Quem vai me encorajar a romper as barreiras que eu mesma crio pra mim? Quem vai me ouvir tarde da noite quando quiser simplesmente falar? Maldito seja você com esse seu amor carnal, baseado em desejos reprimidos e passageiros. Mil vezes maldito! Eu quero o amor da nossa amizade. Da nossa simplicidade repleta de cumplicidade. Para com isso. Para de querer viver uma fantasia. Para de esperar o momento em que o príncipe vai chegar, porque isso não vai acontecer. Isso só acontece nesse teu mundo de conto de fadas, nessa tua cabecinha fértil. Sou eu, que está do teu lado na hora que tu mais precisa. Sou eu, que espero acordado o telefone tocar pra ouvir a tua voz com aquele ‘oie’ mais doce que só tu sabe dizer. Sou eu o teu amigo e o teu amor. Pra que fugir disso? Por que não deixar isso acontecer? Uma vez eu tive um amor e um amigo. Quando o amor foi embora ele levou consigo o meu amigo. Meu melhor amigo. Não vou permitir que isso aconteça de novo. Não dizem que os amores vão e que os amigos ficam? Deixa esse amor ir embora. Manda ele pra puta que o pariu. E ele foi. E eu fiquei sozinha...
10 março, 2010
Está na hora
09 março, 2010
A tia do sorriso na faixa
eu NUNCA vi chaves
Isso mesmo que você acabou de ler. Eu nunca vi chaves. Nenhum episódio se quer. O episódio de Acapulco que todos dizem ser o melhor? Nunca vi. Eu sempre soube que a chiquinha chora por qualquer coisa, que o kiko é o esnobe, a dona Florinda super protetora e apaixonada pelo prof. Girafalez, a bruxa do 71 'mal comida', o sr Madruga é o frustrado, e o Chaves um moleque de rua. Mas eu nunca entendi o porquê das pessoas gostarem tanto e se surpreenderem de uma forma grotescamente estúpida quando eu digo que não curtia. E me dizem. Você não é feliz! Não teve infância! Eu não gostava de televisão. Quando o sinal tocava era hora de ir pra casa eu ficava triste. Adorava estar na escola. Eu fazia futebol, handebol, natação, fazia apostas, brincava muito e estudava. Minha mãe trazia livros com fita cassete pra ir lendo e acompanhando as aventuras de Ali Babá e os 40 ladrões, das princesas... Isso sim, era ser feliz. Eu me via dentro de cada história. Chorava com as princesas. Odiava as malvadas. E aprendia a criar um mundo muito meu. Ir pra casa e ver tv? Isso sim, era sem graça. Almoçava correndo pra poder ter tempo de brincar mais. Ficar sentada vendo chaves? Isso sim, era desperdiçar a minha infância. Eu fui criada pra não ter medo de nada: desde viagens solitárias pela Europa a resolver coisas em banco ainda adolescente. Eu brincava na rua. Nadava sozinha. Subia em árvore, apostava corrida em cima do muro. Jogava bola na rua com meu irmão e os amigos dele. Fazia manobras radicais com meu patins. Adorava pular as calçadas. Meu joelho é meio de menino. Cheio de marcas. E exibir as minhas cicatrizes e contar o motivo de cada uma era como exibir um troféu. O resultado disso é que não tenho medo de nada. Nunca me incomodou ter que resolver tudo ainda muito nova. Quando eu ia buscar a minha irmã na escola, eu adorava, dava uma sensação de ser mais velha, madura. Eu não fico tensa pra resolver os revezes da vida. E isso fez com que eu aprendesse a ter um senso de vida, liberdade, magia, curiosidade, criatividade que Chaves nenhum seria capaz de me dar. Tive sorte. Hoje, eu encontrei o que me faz feliz. Eu sou uma mulher literalmente realizada. E devo isso a minha infância, essa mesma que tiveram a ousadia de dizer que eu não tive. Isso tudo me ensinou a inventar um mundo rico, enorme e possível dentro da minha cabeça. Me ensinou a viver com coragem dentro de mim, a ser minha melhor amiga e fiel conselheira.


