23 janeiro, 2017

Não adianta

Eu não vou escrever uma linha sequer sobre paixão, olhar nos olhos, tentar redesenhar o seu rosto com a ponta dos dedos enquanto a gente fica em silêncio, naquele misto de pensamentos solitários e o desejo de querer saber o que o outro está pensando.
Me recuso terminantemente a fazer um texto fofo e meloso sobre como o universo conspirou pra que a gente se visse pela primeira vez, e mesmo tendo se visto, a gente tenta se ver sempre de novo. Sempre rapidinho naquele brilho que fica lá atrás da pupila que agora eu vou ter que pesquisar no Google as camadas dos olhos. Descobri que a gente se olha e tenta ver o espaço vítreo, localizado atrás do cristalino e circundado pela retina.
Não quero que você pense nem por um segundo que eu vou dizer o quanto é bom ficar na cama e “assistir” Netflix, sentir seu nariz encostar no meu pescoço e a gente ficar se cheirando e desejar que esses ínfimos momentos durem para sempre.
Também não direi nenhuma frase de efeito nesse texto, porque eu e você não somos o gato que ficou em cima daquele baú atrapalhando toda a cerimônia daquele casamento que tinha tudo pra ser lindo, nós somos o xiuuuuuu, que faz rir sem motivo nenhum, a besteira mais engraçada que nenhuma história poderia contar.
A única coisa que eu posso dizer nesse texto todo, é que eu desejo que a nossa vontade cresça, que a gente queira sempre ir para lugares que ainda não fomos.
Que esse namoro seja real e oficial em descobertas, de bares, sanduíches, de molhos perfeitos de maionese que ainda não inventaram.

Que seja cheio de besteiras nossas, que nos façam rir, e que a gente jamais tenha medo ou vergonha de chorar um para o outro. Que a gente tenha saudade mesmo tendo se visto ainda a pouco.

Que a distância nunca seja maior que a vontade de correr pra um abraço apertado. Que os monstrinhos que eu crio na minha cabeça porque tenho medo da ordem de tudo, adormeçam com a sua fala macia enquanto você passa a mão no meu cabelo e diz que tá tudo bem, que é normal ficar com medo mesmo, mas que vai dar tudo certo.

Que a gente tenha certezas e dúvidas, erros e acertos e que as discussões sejam sempre por pontos de vista, mas que elas não causem brigas e sim revelações, de como podemos ser tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes.
Que nossas vidas continuem sendo vidas individuais, mas compartilhadas. Que cada um seja responsável por suas próprias escolhas e sonhos, lembrando que vai sempre existir o outro pra apoiar, seja para escada que ajuda a subir ou o colchão que alivia o peso da queda.

Que a gente queira um futuro muito nosso, e que ele não seja traído pelo nosso presente. Que seja cheio de extremos equilibrados. Que a gente não fuja da paixão, mas que a gente encontre a maneira mais acertada de se apaixonar racionalmente, até que o amor nos descubra e se revele na forma mais sublime de amar. Que a gente seja feliz.


16 novembro, 2015

FAZ UM TEMPO ESTRANHO LÁ FORA

Faz um tempo estranho lá fora. Dá pra ver pelo reflexo das pessoas. Eu sempre fui de me inspirar pelo reflexo das pessoas, mas elas ficaram muito chatas de uns tempos pra cá. Vão dizer que não tem nada a ver, que quem ficou chata fui eu, mas eu sei que não é verdade. Alguma coisa aconteceu. Alguma coisa mudou tudo. Talvez tenha caído um meteoro invisível que soltou um gás e fez todo mundo ficar bobo demais, falando demais, sendo demais. Pelo que eu percebi, o mais importante agora é ter uma opinião. Se você não tem uma opinião, você tá fora. E se você tiver uma opinião diferente você é um idiota. Não exitem outras possibilidades. O mundo virou um enorme preto no branco, mas na maior parte do tempo as coisas são cinzas.Tá tudo turvo e faz um tempo estranho lá fora. Por isso eu prefiro ficar aqui dentro reclamando de tudo. E vão falar que eu não me dou chance de ser feliz, mas a verdade é que tá todo mundo muito chato mesmo. E eu me enterro na minha arrogância de achar que  vão falar sobre qualquer coisa superficial desinteressante ou sobre alguma coisa que eu já sei e pensei.


Marcela Picanço

11 novembro, 2015

Vai aqui uma relação de um garimpo feito hoje pela manhã no intervalo do trabalho. Vou tentar ver a lista e depois voltar pra comentar minha percepção sobre eles.

  1. Experimenter,  um filme sobre o psicólogo Stanley Milgram, que ficou conhecido na década de 60 por seus experimentos com obediência. Dá uma olhada no link e assista ao trailer, da muita vontade de ver né?
  2. Suffragette, Mulheres que entre o final do século 19 e o começo do século 20 lutaram e conquistaram o direito ao voto. p.s: já amo a trilha.
  3. A garotaDinamarquesa, Só pelo trailer eu fico boquiaberta, sem saber o que pensar. E o trabalho do Eddie Redmainy parece ser tão sensível... é esperar pra ver.
  4. Grace de Mônaco, (esse ta passando em Goiânia) O casamento de Grace Kelly (Nicole Kidman - que nunca envelhece) e o príncipe Rainier III (Tim Roth) foi considerado um conto de fadas na vida real quando aconteceu, em 1956. Cinco anos depois e com dois filhos, a verdade é que Grace está insatisfeita com a vida no palácio e o distanciamento do marido.
  5. IrrationalMan,  um filme do Woody com Emma musa Stone e Joaquim charmoso Phoenix no papel de um professor de filosofia que se envolve com a aluna.



Ta aí minha lista. 


14 outubro, 2015

Respira, inspira, não pira

Foi uma viagem sonhada por dois anos. Ela ganhou cofrinho, pasta no celular com fotos, agendas das coisas que faria, dos lugares que eu comeria. Visualizava as manhãs correndo na praia cedinho, com o sol batendo forte no rosto. Os drinks que tomaria logo cedo para entrar no clima. Tudo foi planejado. Mas a vida é uma caixinha de surpresa. Nesses dois anos, o amor se foi, pelo menos ele foi, porque o amor mesmo continua aqui comigo. Mas o sonho da viagem não. Era meu sonho. Eram meus planos, né? Nada mais justo do que eu correr atrás para realizar. Ganhei de presente no mês do meu aniversário um “paquera”, charmoso, #ohsorte, eu que andava numa tristeza só, vi ele chegando leve, suave, como quem não quer nada, mas querendo tudo. E como a vida é essa caixa louca, adivinhem só para onde ele estava indo embora? (ah, ele tb tava indo embora) pro lugar dos meus sonhos. Era muita coincidência, não era não? Daí ganhei minha passagem para o paraíso. - Vá minha filha! Foi o que minha mãe disse antes de comprarmos a passagem. E eu fui. Foram 25 dias de espera, todos os dias trocando mensg. Fotos e atualizações. Até que o dia chegou. Eu nem acreditava. Tive vontade de chorar quando olhava o céu mais estrelado que meus olhos já viram. Chorei, quando sentei sozinha na praia e vi o sol se pôr como um rei. Sorri todas às vezes que entrei no mar e fiquei naquela aflição de arrumar biquíni. Quando conheci pessoas interessantes, tive vontade de colocar no meu bolso para ter sempre ao meu lado. E me lembrei do amor que partiu todo dia. Não dá para negar. Mas pedia sempre que lembrava: Por favor, por favor, me deixa viver esse sonho tranquila. Eu só quero um bocado de paz e de alegria. E ele sumia do meu pensamento. Ele ia, para depois voltar em outro momento. Foi tão minha a viagem, que esqueci do paquera. Esqueci que estávamos juntos. Esqueci de qualquer bondade, doçura ou candura. Fui seca, fria e distante. Não que tivesse agido por mal, ou premeditado, não foi isso. Eu simplesmente esqueci que ele estava ali. E os homens que não negam a raça, se encantou, apaixonou, disse que eu era isso e aquilo outro. Eu não queria nada daquilo. Queria o mar, o sol na cara, o drink logo cedo, lembra?  Eu não queria outro amor, pq ta difícil mandar esse embora, o que que eu vou fazer com um novo? Não da. Ainda não. Voltei. Correndo pra achar o portão de embarque (pq sempre me perco) me deu uma dor no peito. Um nó na garganta. Meu Deus, o que foi que eu fiz? Pq eu to querendo chorar agora? Pq eu to querendo o colo da minha mãe? O que aconteceu nesses dias? Alguém me explica? Ninguém me explicou nada. Chorei sentada no saguão de embarque. Chorei querendo viver uma fantasia. chorei quando vi que a fantasia me cansa. Ainda choro pq queria muito que alguém me explicasse o que realmente estamos fazendo aqui, e se pudesse, me adiantasse um pouco o final da historia, naquela parte que tudo da certo.

27 julho, 2015

Outros caminhos.

A despedida na maioria das vezes é sempre uma coisa dolorosa. Alguma coisa acabou. Alguém foi embora... Uma fase terminou... Às vezes a gente chama de despedida justamente por não saber mais quando vamos ver aquela pessoa ou simplesmente porque a gente não vai saber mais. E isso de não saber mais, acho que é uma das coisas que mais doem, pelo menos pra mim. Eu não vou mais saber do seu dia. Dos seus medos, alegrias, nada... Acabou! E hoje eu me senti assim. Me senti como se pela primeira vez eu me desamarrasse de você. Eu sempre fico amarrada por um fio de alguma coisa. Todos os nossos términos deixaram algumas coisas para trás que faziam com que a gente precisasse se ver de novo, falar de novo... Um chip, um livro, um pendrive, um pedido de desculpas, um amor. Mas hoje eu senti que eu estava livre. E ao mesmo tempo em que eu fiquei feliz, eu fiquei triste porque eu sabia que esse era o nosso fim. Eu sempre quis viver uma história com você, mas percebi que a nossa história era essa. Nem sempre as coisas precisam seguir uma ordem exata ou um fluxo. Eu quis muito um “feliz para sempre” ao seu lado. Queria aquela historia de dois velhos no sofá tomando um vinho enquanto escolhiam o vinil da vez. O tempo embaralhou tudo e a gente trocou todas as ordens. Eu gostava das suas frases soltas seu senso de humor tímido, e principalmente, quando você me olhava com um brilho nos olhos e colocava o polegar tampando seus lábios enquanto analisava a cena e suas falas. Eu não vou dizer que amadureci o suficiente para entender os porquês da vida. Eu ainda não entendo. Mesmo! Mas eu prefiro acreditar que as coisas duram o tempo que elas têm que durar, por mais que a gente não aceite muito esse tempo. O que aconteceria lá na frente? A gente não sabe. Acabou assim para que nós dois soubéssemos o quanto combinamos, o quanto nos admiramos, mas que amor não conseguiu salvar o que nós estragamos. E acho que essa saudade vai fazer mais por nós do que esse amor. O nosso amor durou um milésimo de segundo, que foi um piscar de olhos. Eu olho pra você e eu consigo entender o mundo inteiro. Eu nem sei explicar isso, mas é a coisa mais bonita que eu já senti. Nós amamos a tentativa de fazer uma historia feliz. Porque no fundo, era só isso que a gente queria – ser feliz! E nós fomos. Fomos muito! Fomos duas pessoas apaixonadas que têm a mesma sintonia, mas que decidiram tentar ser feliz em outros caminhos. 

27 outubro, 2013

Antártida

"Alguém estava descendo as escadas correndo, me concentrei por alguns segundos para ter certeza de quem se tratava. “É ele!” Todas as minhas células entraram em colapso e o meu coração em descompasso. Ignorei todas as promessas que tinha feito a mim mesma havia alguns meses atrás.
Era o minuto da verdade: Se eu sorrisse e ele retribuísse era sinal de que tudo continuava da mesma forma, de que a minha indiferença não o deixou magoado demais. Me arrisquei. Continuei andando em direção a ele, acionei o meu sorriso mais sincero e talvez o mais bobo. O meu sorriso foi crescendo e o dele desabrochando. Ele não desviou, nem o corpo, nem os olhos.
Depois de meses, ali estava o abraço que eu já tinha me convencido de haver perdido, e me arrependido de uma vez ter provado. Nenhuma mágoa, ou simplesmente mentiras bem disfarçadas.
Não deixou de ser mágico, mas foi mágico de outro jeito. A distância esfriou a conversa, mas não o toque.
Ele me envolveu, fechei os olhos. Li em algum lugar que você só fecha os olhos para abraçar alguém que você goste muito. Deve ter durado segundos, mas foram os segundos mais quentinhos e confortáveis dos últimos estressantes meses. Não devia ser normal gostar tanto assim de abraçar alguém.
Meu coração se conteve, não tremi. Foi o abraço mais calmo e talvez o melhor que já nos demos. E exatamente por isso o mais estranho. Era hora de solta-lo e encarar a conversa, que provavelmente não seria tão confortável quanto o abraço.
Na minha mente as frases “que saudade” e “sinto sua falta” giravam, pra que eu selecionasse a que menos entregasse a minha fraqueza.
Soltei-o, “saudade”, disse com uma voz fraca. Reparei em seus defeitos. Não me parecia mais tão bonito. Não devia ser assim pra quem está apaixonado.
Ele disse um montão de outras coisas que no fim significaram o mesmo sentimento, quer dizer, espero que tenham significado mesmo isso.
Trocamos meia dúzia de frases desconfortáveis, desconexas. Palavras que tentavam quebrar o gelo de meses, de erros, de ausência.
Nos despedimos. Virei as costas. O gelo não se partiu, mas talvez a dor maior não seja por isso, talvez a dor maior seja saber que bastariam mais dez minutos para derreter toda a Antártida que construímos entre nós em tanto tempo. A dor maior é saber o poder que aqueles braços têm quando estão em volta de mim.
E ele vai aparecer de novo, eu sei que vai. E toda vez que ele me abraçar (independente do quanto eu esteja decepcionada e “desapaixonada”) vai levar meu bom senso embora".



27 junho, 2013

Meia maratona

Se tudo fica calmo, e o silêncio impera, a vida se aquieta demais, a gente logo arruma um jeito de reclamar...  Mas se a gente ficar quietinho vai ver uma harmonia bonita de viver. (É só minha opinião). Eu li outro dia que o “tédio era um primo-irmão moleque que está sempre de soslaio, e que não consegue ver sossegadas as tranças bem-feitas da prima harmonia”. Já reparou nisso? Por que eu fico aqui pensando... Se eu quiser (e às vezes - não tem), tem um monte de coisa pra fazer. Mas eu só quero o sossego... O que é tranquilo... Eu to em outro momento, em outro movimento. Desses reflexivos, sabe? Me questiono e faço tantos planos... Me conjugo em verbos inéditos. Não que eu não repita os velhos, e me atormente com erros passados, não é isso... Parece que me retirei desse tempo. Cheguei a uma amizade comigo que eu ainda não tinha experimentado... Numa harmonia que por muitas vezes ficou escondida pelo tédio.  Vira e mexe ele me visita. Me enche a cabeça. Mas eu to aprendendo a lidar com ele. Fiz igual aos donos de cachorros que moram em apartamentos, e precisam levar os pobrezinhos pra passear. Levo meu tédio pra rua. Corro tanto com ele, que ele põe a língua pra fora, até quase achar que vai morrer... Aí quando isso acontece, diminuo o ritmo e fico observando tudo em volta. Tem dias que to ácida, acho tudo feio, tudo meio pé de macaco... Mas tem dias que ta tudo tão bonito que dá gosto de ver! Acho que no fundo é isso. O movimento mais preciso da vida: achar graça!, aproveitar!, chorar!, correr!, se entediar!... Viver! O tédio vai estar presente cutucando a harmonia. Ele é tão importante quanto à felicidade. Acho até que ele é o caminho pra gente chegar até ela. Pensa comigo: é só no meio do tédio que a gente percebe o que precisa mudar.
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