Eu
não vou escrever uma linha sequer sobre paixão, olhar nos olhos, tentar
redesenhar o seu rosto com a ponta dos dedos enquanto a gente fica em silêncio,
naquele misto de pensamentos solitários e o desejo de querer saber o que o
outro está pensando.
Me
recuso terminantemente a fazer um texto fofo e meloso sobre como o universo
conspirou pra que a gente se visse pela primeira vez, e mesmo tendo se visto, a
gente tenta se ver sempre de novo. Sempre rapidinho naquele brilho que fica lá atrás
da pupila que agora eu vou ter que pesquisar no Google as camadas dos olhos. Descobri
que a gente se olha e tenta ver o espaço vítreo, localizado atrás do cristalino
e circundado pela retina.
Não
quero que você pense nem por um segundo que eu vou dizer o quanto é bom ficar
na cama e “assistir” Netflix, sentir seu nariz encostar no meu pescoço e a gente
ficar se cheirando e desejar que esses ínfimos momentos durem para sempre.
Também
não direi nenhuma frase de efeito nesse texto, porque eu e você não somos o
gato que ficou em cima daquele baú atrapalhando toda a cerimônia daquele
casamento que tinha tudo pra ser lindo, nós somos o xiuuuuuu, que faz rir sem
motivo nenhum, a besteira mais engraçada que nenhuma história poderia contar.
A única coisa que
eu posso dizer nesse texto todo, é que eu desejo que a nossa vontade cresça,
que a gente queira sempre ir para lugares que ainda não fomos.
Que esse namoro
seja real e oficial em descobertas, de bares, sanduíches, de molhos perfeitos
de maionese que ainda não inventaram.
Que seja cheio de
besteiras nossas, que nos façam rir, e que a gente jamais tenha medo ou
vergonha de chorar um para o outro. Que a gente tenha saudade mesmo tendo se
visto ainda a pouco.
Que a distância
nunca seja maior que a vontade de correr pra um abraço apertado. Que os
monstrinhos que eu crio na minha cabeça porque tenho medo da ordem de tudo, adormeçam
com a sua fala macia enquanto você passa a mão no meu cabelo e diz que tá tudo
bem, que é normal ficar com medo mesmo, mas que vai dar tudo certo.
Que a gente tenha
certezas e dúvidas, erros e acertos e que as discussões sejam sempre por pontos
de vista, mas que elas não causem brigas e sim revelações, de como podemos ser
tão parecidos e ao mesmo tempo tão diferentes.
Que nossas vidas
continuem sendo vidas individuais, mas compartilhadas. Que cada um seja
responsável por suas próprias escolhas e sonhos, lembrando que vai sempre
existir o outro pra apoiar, seja para escada que ajuda a subir ou o colchão que
alivia o peso da queda.
Que a gente queira
um futuro muito nosso, e que ele não seja traído pelo nosso presente. Que seja
cheio de extremos equilibrados. Que a gente não fuja da paixão, mas que a gente
encontre a maneira mais acertada de se apaixonar racionalmente, até
que o amor nos descubra e se revele na forma mais sublime de amar. Que a gente
seja feliz.


