Foi uma viagem sonhada por dois
anos. Ela ganhou cofrinho, pasta no celular com fotos, agendas
das coisas que faria, dos lugares que eu comeria. Visualizava as manhãs
correndo na praia cedinho, com o sol batendo forte no rosto. Os drinks que
tomaria logo cedo para entrar no clima. Tudo foi planejado. Mas a vida é uma
caixinha de surpresa. Nesses dois anos, o amor se foi, pelo menos ele foi, porque
o amor mesmo continua aqui comigo. Mas o sonho da viagem não. Era meu sonho.
Eram meus planos, né? Nada mais justo do que eu correr atrás para realizar.
Ganhei de presente no mês do meu aniversário um “paquera”, charmoso, #ohsorte,
eu que andava numa tristeza só, vi ele chegando leve, suave, como quem não quer
nada, mas querendo tudo. E como a vida é essa caixa louca, adivinhem só para
onde ele estava indo embora? (ah, ele tb tava indo embora) pro lugar dos meus
sonhos. Era muita coincidência, não era não? Daí ganhei minha passagem para o paraíso.
- Vá minha filha! Foi o que minha mãe disse antes de comprarmos a passagem. E
eu fui. Foram 25 dias de espera, todos os dias trocando mensg. Fotos e
atualizações. Até que o dia chegou. Eu nem acreditava. Tive vontade de chorar quando
olhava o céu mais estrelado que meus olhos já viram. Chorei, quando sentei
sozinha na praia e vi o sol se pôr como um rei. Sorri todas às vezes que entrei
no mar e fiquei naquela aflição de arrumar biquíni. Quando conheci pessoas
interessantes, tive vontade de colocar no meu bolso para ter sempre ao meu
lado. E me lembrei do amor que partiu todo dia. Não dá para negar. Mas pedia
sempre que lembrava: Por favor, por favor, me deixa viver esse sonho tranquila.
Eu só quero um bocado de paz e de alegria. E ele sumia do meu pensamento. Ele
ia, para depois voltar em outro momento. Foi tão minha a viagem, que esqueci do
paquera. Esqueci que estávamos juntos. Esqueci de qualquer bondade, doçura ou
candura. Fui seca, fria e distante. Não que tivesse agido por mal, ou
premeditado, não foi isso. Eu simplesmente esqueci que ele estava ali. E os
homens que não negam a raça, se encantou, apaixonou, disse que eu era isso e
aquilo outro. Eu não queria nada daquilo. Queria o mar, o sol na cara, o drink
logo cedo, lembra? Eu não queria outro
amor, pq ta difícil mandar esse embora, o que que eu vou fazer com um novo? Não
da. Ainda não. Voltei. Correndo pra achar o portão de embarque (pq sempre me
perco) me deu uma dor no peito. Um nó na garganta. Meu Deus, o que foi que eu
fiz? Pq eu to querendo chorar agora? Pq eu to querendo o colo da minha mãe? O
que aconteceu nesses dias? Alguém me explica? Ninguém me explicou nada. Chorei
sentada no saguão de embarque. Chorei querendo viver uma fantasia. chorei
quando vi que a fantasia me cansa. Ainda choro pq queria muito que alguém me
explicasse o que realmente estamos fazendo aqui, e se pudesse, me adiantasse um
pouco o final da historia, naquela parte que tudo da certo.
14 outubro, 2015
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