14 outubro, 2015

Respira, inspira, não pira

Foi uma viagem sonhada por dois anos. Ela ganhou cofrinho, pasta no celular com fotos, agendas das coisas que faria, dos lugares que eu comeria. Visualizava as manhãs correndo na praia cedinho, com o sol batendo forte no rosto. Os drinks que tomaria logo cedo para entrar no clima. Tudo foi planejado. Mas a vida é uma caixinha de surpresa. Nesses dois anos, o amor se foi, pelo menos ele foi, porque o amor mesmo continua aqui comigo. Mas o sonho da viagem não. Era meu sonho. Eram meus planos, né? Nada mais justo do que eu correr atrás para realizar. Ganhei de presente no mês do meu aniversário um “paquera”, charmoso, #ohsorte, eu que andava numa tristeza só, vi ele chegando leve, suave, como quem não quer nada, mas querendo tudo. E como a vida é essa caixa louca, adivinhem só para onde ele estava indo embora? (ah, ele tb tava indo embora) pro lugar dos meus sonhos. Era muita coincidência, não era não? Daí ganhei minha passagem para o paraíso. - Vá minha filha! Foi o que minha mãe disse antes de comprarmos a passagem. E eu fui. Foram 25 dias de espera, todos os dias trocando mensg. Fotos e atualizações. Até que o dia chegou. Eu nem acreditava. Tive vontade de chorar quando olhava o céu mais estrelado que meus olhos já viram. Chorei, quando sentei sozinha na praia e vi o sol se pôr como um rei. Sorri todas às vezes que entrei no mar e fiquei naquela aflição de arrumar biquíni. Quando conheci pessoas interessantes, tive vontade de colocar no meu bolso para ter sempre ao meu lado. E me lembrei do amor que partiu todo dia. Não dá para negar. Mas pedia sempre que lembrava: Por favor, por favor, me deixa viver esse sonho tranquila. Eu só quero um bocado de paz e de alegria. E ele sumia do meu pensamento. Ele ia, para depois voltar em outro momento. Foi tão minha a viagem, que esqueci do paquera. Esqueci que estávamos juntos. Esqueci de qualquer bondade, doçura ou candura. Fui seca, fria e distante. Não que tivesse agido por mal, ou premeditado, não foi isso. Eu simplesmente esqueci que ele estava ali. E os homens que não negam a raça, se encantou, apaixonou, disse que eu era isso e aquilo outro. Eu não queria nada daquilo. Queria o mar, o sol na cara, o drink logo cedo, lembra?  Eu não queria outro amor, pq ta difícil mandar esse embora, o que que eu vou fazer com um novo? Não da. Ainda não. Voltei. Correndo pra achar o portão de embarque (pq sempre me perco) me deu uma dor no peito. Um nó na garganta. Meu Deus, o que foi que eu fiz? Pq eu to querendo chorar agora? Pq eu to querendo o colo da minha mãe? O que aconteceu nesses dias? Alguém me explica? Ninguém me explicou nada. Chorei sentada no saguão de embarque. Chorei querendo viver uma fantasia. chorei quando vi que a fantasia me cansa. Ainda choro pq queria muito que alguém me explicasse o que realmente estamos fazendo aqui, e se pudesse, me adiantasse um pouco o final da historia, naquela parte que tudo da certo.
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