14 junho, 2011

Amigas - eu tenho as melhores

Eu sempre escrevi sobre os efeitos que o amor ou a falta dele causavam em mim. Sempre furando, sempre sangrando, sempre doendo, sempre me fazendo rir, e quase nunca me fazendo chorar (não levo muita vocação pra isso). Mas tinha sempre alguém indo ou vindo, sempre curioso, excitado, motivado, impressionado. Homens que não servem pra nada. Não sabem até hoje, o que serão da vida e o que querem dela. Nunca estão prontos pra amar alguém com exclusividade. Sua falta de capacidade para ser feliz, sua angústia, faz com que eles queiram procurar outras mulheres. Já não vejo homens de verdade por aí, acho que eles estão em casa e teimo em ir pra rua pra ver se eles estão por lá. Fui tomar café com as amigas, e entre todos os assuntos vimos à quantidade de moças solteiras que tínhamos em nossa mesa. Uma falou com ar melancólico que tava bem sozinha. E eu disse numa felicidade pura e muito sincera: “Eu com vocês me divirto como nunca e sou feliz como ninguém”. Então esse texto é na verdade uma homenagem aos meus amores mais sinceros que eu já tive um dia. Queria agradecer pelas fases mais hilárias, das histórias mais inesquecíveis que eu já vivi. Das dancinhas, das músicas, das horas gastas viajando na maionese imaginando o “Didico” correndo de maiô dourado na são Francisco. Imaginando o pimpão sendo nosso mordomo. Lembrar da fazendinha. Quantas histórias. Quantos sorrisos... Lágrimas? Não lembro de nenhuma causada por nenhuma de vocês, mas lembro das que causaram em nós e que nos reunimos pra tentar esquecer e abafar o que o mundo fazia conosco. Lembro do Rio e de todo o seu chiado, de grau no degrau e de ter bebido um vôo de helicóptero. Falar árabe? A gente fala e traduz. Entrar em show de graça debaixo de chuva? A gente entra, e prova o primeiro grau da vida e ouve as cantadas que deram origem a uma época. Dicas de como fazer um espetinho render mais? Eu tenho a amiga certa pra isso. Ah minhas amigas. Minhas queridas irmãs. Vocês são o tipo de pessoa que – definitivamente, não passam despercebidas. Se você ouve falar, cria uma curiosidade inexplicável; os comentários sempre vêm munidos de frases exclusivas e situações únicas. Se vê, tem vontade de se aproximar e conhecer. Se já conhece, sustenta secretamente a certeza de nunca mais sair de perto. E a convivência só comprova isso. Na pista de dança, nas conversas, viagens, nas caipirinhas, em tudo! A expectativa que existe já é acima da média, fora da curva, além dos padrões. E tem sempre mais uma pra aumentar as historias e fazer dos nossos dias, dias inesquecíveis. Quando a gente é feliz, a gente quer mostrar pro mundo, que ele pode continuar sendo mal que nós continuaremos sentindo coisas bonitas por ele. E começamos a sorrir porque não tem nada mais engraçado do que o nosso destrambelhamento. Homens, amores, falsos amores, eles estão aos montes por aí. Infestando festas, bares, casas de amigos, redes sociais. Mas boas amigas? Essas não encontramos com facilidade... Meus amores são minhas amigas. Verdadeiras amigas. Que fazem de mim a mulher mais feliz do mundo. Que me enchem de saudade. Que trazem sorrisos pro meu rosto, histórias pros meus dias e muita felicidade pra minha vida. Eu tenho muita sorte de ter cada uma de vocês na minha vida. Quero agradecer por vocês serem exatamente quem são e por permitirem que eu seja quem eu sou. Amo vocês! #Bonde

02 junho, 2011

O amor, o tio Dino e Eu

Amar mete sempre muito medo. Todo mundo tem uma ferida de um amor que não deu certo. Alguns, claro, vivem em busca da adrenalina e se expor ao perigo não é tão ruim quanto parece. Mas tem outros que vivem na busca incessante de muralhas pra salvaguardar seu coração, como se isso fosse possível. "Um certo mendigo livre de toda preocupação com sua pouca higiene e com suas roupas. Uma barba enorme que escondia uma face abandonada. Rugas que eram rachaduras em pleno sertão da alma, falou sobre o amor: 'de todas as drogas que já experimentei, amar é a mais fodida. Se for pra morrer drogado, que não seja de amor. Que seja de crack, cocaína… É muito mais barato'. Naquela esfinge a origem do enigma, o devoro do seu decifra-me, era claro: estamos diante de pessoas famintas de amor. Acho que ele mais de fome do que de amor, coitado. Fiquei pensando no assunto, de uma forma mais incisiva do que eu fazia costumeiramente. Amar vale a pena. De alguma forma absurda, disparatada, mas vale a pena. Ele torna pessoas indecifráveis a olho nu em seres perfeitos. Inatingíveis, mas palpáveis. Um ser completo. Alguém que valha pensar nas horas mais improváveis do dia. O amor não tem origem nem destino certo. O que o torna lógico é não ter qualquer compromisso com o óbvio, com a exatidão. Um eterno exercício em que, quando você acha que encontrou uma ligeira resposta, a própria pergunta já se refaz. Amar é parecer estar no mesmo filme todos os dias, no mesmo take, tomada e edições. Perfeito. É pra isso que serve o amor". Pode não ter retorno, mas a vida só tem sentido quando a gente ama, e ama sem medo.

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