10 setembro, 2011

Labirinto

Olhando pra trás, vendo tudo o que já foi dito, lembrando de cada momento vivido, já sinto saudade. Hoje, trago a triste notícia de que nosso fim chegou. É que hoje eu morri. É isso mesmo. Não se preocupem, morri feliz. Deu até pra fazer listinha pedindo perdão pelas faltas cometidas, fazer os elogios que ficaram guardados, amar... Ah eu amo amar... Amei muito todo dia. Tive bons romances, boas histórias. Algumas escolhas erradas, alguns tropeços, algumas lágrimas. Mas sorri bastante e a julgar por essa afirmação, sentirei saudade. Saudade dessa vida louca, aberta, exposta. Vocês foram tão bons pra mim. Me ouviram, me deixaram falar como se o que eu dissesse fosse importante. Só quero pedir um favor, não se esquece de mim, do que eu disse. Me faz ser uma boa lembrança, e sempre que a saudade bater, se bater, vem aqui me ver. Lê um pouquinho pra mim, eu vou estar escutando. Espero que tudo te saia lindamente e que sejas extremamente feliz. Prometo fazer o mesmo. Vamos viver com mais amor, mais sorrisos, mais verdades, vontades, paixões, amassos, algumas vírgulas, pontos finais, reticências, mas vamos viver mais. Eu me despeço desse velho conto de fadas, desse eterno desabafo dos meus altos e baixos prometendo continuar acreditando que vale à pena amar, e que no fim tudo da certo. “Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força'. 'Deixo para trás pequenos traços de minha passagem... Visíveis apenas para aqueles que sabem onde olhar". E já que toda história tem um fim, decidi que fui feliz pra sempre.
Fim.

09 setembro, 2011

fez o concreto virar flor

Ele trouxe a esperança de que há sim, pessoas melhores no mundo, de que existe gente que é gente, que sorri com os olhos, que não tem medo de amar. Ele mostrou que é só ter um pouco de fé e paciência que as coisas se encaixam, e que existe um bocado de gente que sabe fazer sorrir, que é engraçado, que sabe falar, “oba”... “eba”. (Me faz voltar a ser criança e tira de mim o melhor sorriso que eu tenho, que é quando eu sorrio com a alma). A covinha dele é no queixo, onde Deus colocou pra que ele fosse sexy, mesmo não sendo muito bonito. Ele é daqueles que te despertam um sentimento curioso, uma vontade de querer se aproximar, e se está perto, sustenta a vontade de continuar ali. O cabelo dele é puro cabelo. A expressão do seu sorriso é graciosa. Ele parece ter acabado de nascer, da pra sentir daqui o cheiro de amaciante que sai das suas roupas engomadinhas. Suas pernas grossas o fazem ter um andar divertido enquanto balança a enorme bunda que carrega. E eu só sinto vontade de falar: “sim querido, ame mais. Isso mesmo, continue dizendo que ama, e que ama mesmo, e que mal há amar tanto assim diante de uma sociedade tão sedenta de amor?”. Mas eu não falo nada, eu não posso falar nada. E quando eu vejo to sorrindo da minha maluquice. Mas não olhem pra mim, não liguem pra mim. Eu sou a menina sentada na calçada comendo um bis enquanto vê o menino gritar que ama sua namorada, e que quer casar com ela. Parece meio ridículo, meio maluco, mas ele me deu um sentindo na vida. Da pra acreditar? Pessoas como ele precisam apenas existir, ainda que na minha imaginação, pra me mostrar que milagres são reais. Que ‘o amor faz parte da equação geral do universo, e que ele existe’. Ele vive nos meus devaneios. Sua existência permitiu que esse texto fosse escrito. Seu jeito grande demais, me faz guardá-lo no peito, e desejar de todo o meu coração que ele simplesmente... Ame sua amada! No final, sempre acaba bem pra quem ama de verdade.

28 agosto, 2011

Imensidão imaginária

Me toca sem segredo. Entra na minha vida aceitando quem eu sou. Rindo das minhas idiotices. Gosta da minha família, isso conta muito pra mim. Me tira da rotina, e me ensina a gostar da suas coisas. Ouve musica boa. Detesta gatos comigo, ama os cachorros. Aceita criar um vira lata quando a gente casar. Queira ter uma dúzia de filhos, mesmo eu querendo ter só dois, acho charmoso homem que quer família grande. Que o nosso silêncio não incomode. Quando eu te pedir pra ir embora, não vá. Não me obedece sempre, às vezes eu gosto de ser contrariada. Quando eu quiser ir, e estiver de partida, com as malas feitas, me impede . Fica parado na minha frente e fala que eu não preciso abandonar tudo cada vez que o medo me derrubar Me ajuda a levar a vida menos a sério, e me mostra que é só a vida, como se isso fosse coisa pouca, mas é só ela. Eu não sirvo de exemplo. Sou cheia de defeitos, sou imperfeita. Mas farei tudo o que estiver ao meu alcance pra sermos felizes. Eu não posso prometer que só teremos dias ensolarados, mas posso dar a minha palavra que todo dia eu tentarei te fazer o homem mais feliz dessa terra, nem que sejam por apenas míseros minutos. Eu sou estranha. Cheguei a essa conclusão há pouco tempo, mas não me sinto culpada. Sei que o amor vem de onde a gente menos espera, na hora mais improvável, do jeito menos convencional. Ele é onipresente. Então, vem, e me surpreende.


14 junho, 2011

Amigas - eu tenho as melhores

Eu sempre escrevi sobre os efeitos que o amor ou a falta dele causavam em mim. Sempre furando, sempre sangrando, sempre doendo, sempre me fazendo rir, e quase nunca me fazendo chorar (não levo muita vocação pra isso). Mas tinha sempre alguém indo ou vindo, sempre curioso, excitado, motivado, impressionado. Homens que não servem pra nada. Não sabem até hoje, o que serão da vida e o que querem dela. Nunca estão prontos pra amar alguém com exclusividade. Sua falta de capacidade para ser feliz, sua angústia, faz com que eles queiram procurar outras mulheres. Já não vejo homens de verdade por aí, acho que eles estão em casa e teimo em ir pra rua pra ver se eles estão por lá. Fui tomar café com as amigas, e entre todos os assuntos vimos à quantidade de moças solteiras que tínhamos em nossa mesa. Uma falou com ar melancólico que tava bem sozinha. E eu disse numa felicidade pura e muito sincera: “Eu com vocês me divirto como nunca e sou feliz como ninguém”. Então esse texto é na verdade uma homenagem aos meus amores mais sinceros que eu já tive um dia. Queria agradecer pelas fases mais hilárias, das histórias mais inesquecíveis que eu já vivi. Das dancinhas, das músicas, das horas gastas viajando na maionese imaginando o “Didico” correndo de maiô dourado na são Francisco. Imaginando o pimpão sendo nosso mordomo. Lembrar da fazendinha. Quantas histórias. Quantos sorrisos... Lágrimas? Não lembro de nenhuma causada por nenhuma de vocês, mas lembro das que causaram em nós e que nos reunimos pra tentar esquecer e abafar o que o mundo fazia conosco. Lembro do Rio e de todo o seu chiado, de grau no degrau e de ter bebido um vôo de helicóptero. Falar árabe? A gente fala e traduz. Entrar em show de graça debaixo de chuva? A gente entra, e prova o primeiro grau da vida e ouve as cantadas que deram origem a uma época. Dicas de como fazer um espetinho render mais? Eu tenho a amiga certa pra isso. Ah minhas amigas. Minhas queridas irmãs. Vocês são o tipo de pessoa que – definitivamente, não passam despercebidas. Se você ouve falar, cria uma curiosidade inexplicável; os comentários sempre vêm munidos de frases exclusivas e situações únicas. Se vê, tem vontade de se aproximar e conhecer. Se já conhece, sustenta secretamente a certeza de nunca mais sair de perto. E a convivência só comprova isso. Na pista de dança, nas conversas, viagens, nas caipirinhas, em tudo! A expectativa que existe já é acima da média, fora da curva, além dos padrões. E tem sempre mais uma pra aumentar as historias e fazer dos nossos dias, dias inesquecíveis. Quando a gente é feliz, a gente quer mostrar pro mundo, que ele pode continuar sendo mal que nós continuaremos sentindo coisas bonitas por ele. E começamos a sorrir porque não tem nada mais engraçado do que o nosso destrambelhamento. Homens, amores, falsos amores, eles estão aos montes por aí. Infestando festas, bares, casas de amigos, redes sociais. Mas boas amigas? Essas não encontramos com facilidade... Meus amores são minhas amigas. Verdadeiras amigas. Que fazem de mim a mulher mais feliz do mundo. Que me enchem de saudade. Que trazem sorrisos pro meu rosto, histórias pros meus dias e muita felicidade pra minha vida. Eu tenho muita sorte de ter cada uma de vocês na minha vida. Quero agradecer por vocês serem exatamente quem são e por permitirem que eu seja quem eu sou. Amo vocês! #Bonde

02 junho, 2011

O amor, o tio Dino e Eu

Amar mete sempre muito medo. Todo mundo tem uma ferida de um amor que não deu certo. Alguns, claro, vivem em busca da adrenalina e se expor ao perigo não é tão ruim quanto parece. Mas tem outros que vivem na busca incessante de muralhas pra salvaguardar seu coração, como se isso fosse possível. "Um certo mendigo livre de toda preocupação com sua pouca higiene e com suas roupas. Uma barba enorme que escondia uma face abandonada. Rugas que eram rachaduras em pleno sertão da alma, falou sobre o amor: 'de todas as drogas que já experimentei, amar é a mais fodida. Se for pra morrer drogado, que não seja de amor. Que seja de crack, cocaína… É muito mais barato'. Naquela esfinge a origem do enigma, o devoro do seu decifra-me, era claro: estamos diante de pessoas famintas de amor. Acho que ele mais de fome do que de amor, coitado. Fiquei pensando no assunto, de uma forma mais incisiva do que eu fazia costumeiramente. Amar vale a pena. De alguma forma absurda, disparatada, mas vale a pena. Ele torna pessoas indecifráveis a olho nu em seres perfeitos. Inatingíveis, mas palpáveis. Um ser completo. Alguém que valha pensar nas horas mais improváveis do dia. O amor não tem origem nem destino certo. O que o torna lógico é não ter qualquer compromisso com o óbvio, com a exatidão. Um eterno exercício em que, quando você acha que encontrou uma ligeira resposta, a própria pergunta já se refaz. Amar é parecer estar no mesmo filme todos os dias, no mesmo take, tomada e edições. Perfeito. É pra isso que serve o amor". Pode não ter retorno, mas a vida só tem sentido quando a gente ama, e ama sem medo.

17 maio, 2011

Sinto muito

Odeio gente suada encostando em mim. Odeio que meninas feias se achem bonitas. Odeio gente fubazenta e piriguete que se acha gostosa. Eu odeio esse termo: “gostosa”. Odeio cantadas sem graça de rapazes sem noção. Odeio quem tira foto olhando pro espelho empinando a bunda pra publicar em redes sociais. Odeio quem fica atualizando o perfil de Orkut todo dia, aliás, eu odeio o Orkut. Odeio quem é efusivo demais, que fala alto, que abraça todo mundo, que é “feliz” demais. Odeio quem chora por tudo e quem não chora por nada. Odeio comer comida fria, comer sozinha e odeio quem fala de boca cheia. Odeio que as coisas não sejam como eu quero, porque o que eu quero é simples. Odeio quando eu tento me enganar, como isso, por exemplo, eu acho que eu quero o simples, mas eu sei que não é. Odeio mau hálito. Eu odeio machismo, submissão e mais do que tudo isso, ter que ser forte o tempo todo e não ter um ombro másculo para chorar até minha última gota desamparada. Odeio espinhas, cravos, gente que brilha pela sebosidade da vida. Odeio cabelo sujo e caspa . Odeio mulher que se faz de santa, que pra família é um anjo de candura, mas que é ardilosa, promíscua, apelativa e traidora. Odeio mulher que não se valoriza, que sai dando pra meio mundo e perde o mistério. Odeio gente falsa, fofoqueira, maldosa. Odeio mentira, hipocrisia, fingimento. Odeio quem sente uma coisa e diz outra. Odeio quem não pede desculpa, que não se arrepende, que não se importa com o sentimento alheio. Odeio quem fala babando, cuspindo. Odeio quem tem tick nervoso, que se coça o tempo todo. Odeio gente carente, puxa saco. Odeio homem inseguro. Odeio ignorância e mais do que tudo na vida, odeio gente burra. Odeio quem odeia cachorro e odeio quem não odeia gato. Odeio a expressão “fia”. Odeio meninas caçadoras de homens ricos, mas odeio sair com um cara quebrado. Odeio choro de criança dentro da igreja. Odeio telefones tocando dentro do cinema. Odeio engordar e odeio malhar. Odeio acordar cedo e odeio dormir tarde. Odeio quando me deixam esperando resposta. Odeio os jogos da vida, as incertezas e a falta do amor. Odeio adolescentes que odeiam o mundo, e que descontam em quem não tem nada a ver toda a fúria que sentem por estarem crescendo. Mas a coisa que eu mais odeio é sentir muito.

09 maio, 2011

A gente pode dar certo

Este post é dedicado ao bonde, que ta sempre comigo e na maioria das vezes acaba passando pelas mesmas coisas que eu (se você não sabe quem é o bonde, eu te digo agora: É um grupo maravilhoso composto pelas melhores amigas que eu pude imaginar ter um dia). Quando eu era novinha lá pelos meus 14 anos de idade eu tinha muitos sonhos. Eu sonhava que no ano 2000, teríamos carros iguais ao dos Jetsons, e tinha um pouco de medo porque todo mundo dizia que o mundo acabaria e eu queria muito chegar aos meus 25 anos de idade, porque eu seria uma empresária de sucesso, só usaria saias sociais, camisa e salto alto, freqüentaria a academia todo dia pela manhã e estaria casada e com um casalzinho de filhos que brincariam no quintal de casa enquanto eu e meu marido tomávamos um vinho sentados conversando sobre nosso dia. AOS 25! Além de ter minha casa grande e bastante moderna, eu teria ganhado na Sena (não existia a Mega), viajado bastante, comprando imãs de geladeira por todos os países que eu tivesse conhecido. Acho que de tudo o que pensei na vida, o “viajar muito”, a saia social e o salto alto, são as únicas opções que se encaixam nessa história toda. Talvez, na época de nossas mães, os planos até aconteceriam. Queimaram até sutiãs para isso! Mas a realidade é, de fato, bem diferente. Existe um choque de realidade quando a gente passa dos 25. Vou falar uma coisa óbvia: o mundo não é igual ao que a gente imaginava quando tinha 14 anos de idade. Hoje estou nos meus 26 anos (e ainda não acredito nisso), já fiz três faculdades porque queria achar uma coisa que eu fosse tão apaixonada que me dedicaria de corpo e alma. Hoje, eu sei bem que o Marketing me encanta e me fascina, porque muda todo dia. Sou uma profissional em formação, viajei “boa parte do Brasil”, morei fora do país durante três anos, conheci e me apaixonei por Portugal (mesmo com todos os seus defeitos), já tive “n” dissabores com o amor, mas sempre acreditei que ele seria o cara do casamento e dos filhos, torço pra dois times e acho isso normal, ainda moro com minha avó, não tenho filhos, tenho uma cadelinha linda, não tenho namorado – ainda, e infelizmente não ganhei a bolada milionária da Mega Sena. (Triste, mas é verdade). Mas ontem, durante uma pregação no culto, o pastor falou muito sobre projetos, metas e sonhos. Entrei numa bad trip que há muito tempo não entrava. Minhas amigas ligaram preocupadas, mas nada como uma fluoxetina pra relaxar. Cadê os meus projetos? As minhas metas? Os meus sonhos? Cara, a gente vai vivendo, deixando os dias atropelarem nossos planos. Pára o mundo! Vamos organizar as coisas que viver assim não dá. Terminei o colegial com 17 anos, fiz minha primeira viagem internacional aos 21, morei sozinha aos 23, minha mãe mora longe de mim desde os 17. Nada era do jeito que eu pensava aos 14 anos. Rolam imposições da sociedade, da família, dos amigos em relação a certos assuntos, rola uma cobrança pessoal pela realização dos nossos sonhos que por um momento nos fazem sentir uns verdadeiros pedaços de merda. Esquece… Então, o que eu pude ver com essa analise toda é que. 1- eu tenho um Deus maravilhoso que cuida de mim em todo o tempo. 2-eu tenho a sorte de ter as melhores amigas do mundo, elas tornam tudo mais fácil. 3- eu sei que a gente pode dar certo, as coisas nunca serão como nós sonhamos, mas acreditar que os sonhos podem se tornar realidade é um passo fundamental pra ser feliz. 4- ir à luta com determinação e lutar muito pra fazer com que a minha vida seja linda (porque eu acredito nisso) é a chave pro meu sucesso “a vitória cabe ao que mais persevera". 5 e último. Vamos viver de verdade, e viver um sonho verdadeiro.

30 abril, 2011

Melhor viver, meu bem

No começo a gente começa simples, sem apelidos, mas é só até o tempo passar pra gente ir construindo uma linguagem muito própria. Coisinhas que vamos fazendo com a outra pessoa, criando um dicionário muito único, muito nosso. São códigos que se decifram em beijos e sorrisos. Olhares que se completam, expressões que gritam em meio ao silêncio. Silêncio que com o tempo a gente descobre falar claro. Fragilidade que é demonstrada com orgulho, intenção que se revela num piscar de olhos, numa jogada de cabelo, numa virada de pescoço. São mãos dadas que se soltam e de novo se agarram e dão a sensação de segurança perante a platéia que se aproxima curiosa e intrigada. Mas pra quem faz o movimento e deixa a palma da mão aberta pra logo fechar, sente o corpo ser tocado e sente ele todo se aquecer. E há os beijos. Nessa parte da até pra catalogar. Tem o cartão de crédito, a respiração, o chip, o pior beijo do mundo, há o beijo molhado, o seco. E pra cada beijo uma história, uma risada, uma intenção. São prévias precisas da noite que vem, e quando a gente beija, a gente diz muita coisa. Até que a gente beija de verdade, e a conversa cessa, a palavra se cala. Mas chega a tranquilidade de poder sentir sem pressa e sem cobrança o que a gente sente. Coisas tão nossas que, num tempo em que cada vez menos sente de verdade, a gente acaba achando que tem sorte. As palavras trabalham a nosso favor, e a voz rouca em acordes felizes faz o humor ir se transformando num querer bem. “Mas a verdade”, é que a gente pode fazer o que for: dar o melhor beijo, inventar o melhor código pra dizer que sentiu saudade, pra dizer que sentiu ciúme, a melhor estratégia, o plano infalível pra passar os dias dançando quando a chuva vier. Nada disso garante nada, porque tudo isso logo passa. Talvez porque existam dicionários que a gente nunca quis perder. A linguagem perfeita que a gente sempre sonhou ter, e outros que queremos descobrir. E pra falar a verdade de novo, nossas enciclopédias vão sendo escritas em meio a dias cinzentos, outros ensolarados, e às vezes vamos descobrindo que entre um código e outro, entre um beijo e o riso, a magia de ter encontrado a simetria perfeita, e mãos espalmadas como quem diz: “eu to aqui pra você”, não passa de uma estrada incerta. A gente não tem certeza de nada. Não se trata de agradar ou ser agradado todas às vezes, não se trata de fazer todas as vontades, de ter o melhor dicionário, mas trata-se de poder ser quem você é, e ver a pessoa gostar de você justamente por isso. O que importa é que no fim a gente resolve tudo, felicidade é só questão de ser. A gente acaba sabendo que em algum lugar dessa estrada o sol brilha e você se liberta, mesmo que pra isso a gente tenha que se perder de verdade, afinal, toda estrada tem um fim.

Não desmarque um encontro JAMAIS

"Quando um homem chama uma mulher para sair, não sabe o grau de estresse que isso desencadeia em nossas vidas. Durante muito tempo, fiquei achando que eu era uma estressada maluca que não sabia lidar com isso, mas conversando com diversas pessoas, cheguei à conclusão de que esse estresse é um denominador comum a quase todas as mulheres, ainda que em graus diferentes (ou será que sou eu que só ando com gente estressada?). O que venho contar aqui hoje é mais dedicado aos homens do que às mulheres. Acho importante que eles saibam o que se passa nos bastidores. Você, mulher, está flertando um Zé Ruela qualquer. Com sorte, ele acaba te chamando para sair. Vamos supor, um jantar. Pronto, acabou seu último minuto de paz. Ele diz, como se fosse a coisa mais simples do mundo 'Vamos jantar amanhã?'. Você sorri e responde, como se fosse a coisa mais simples do mundo: 'Claro, vamos sim'. Começou o inferno na Terra. Foi dada a largada. Você começa a se reprogramar mentalmente e pensar em tudo que tem que fazer para estar apresentável até lá. Cancela todos os seus compromissos canceláveis e começa a odisséia. Evidentemente, você também pára de comer, afinal, quer estar em forma no dia do jantar e mulher sempre se acha gorda. Primeira coisa: fazer mãos e pés.. Quem se importa se é inverno e você provavelmente vai usar uma bota de cano alto? Mãos e pés tem que estar feitos - e lá se vai uma hora do seu dia. Vocês (homens) devem estar se perguntando 'Mão tudo bem, mas porque pé, se ela vai de botas?' Lei de Murphy. Sempre dá merda. Uma vez pensei assim e o infeliz me levou para um restaurante japonês daqueles em que tem que tirar o sapato para sentar naqueles tatames. Tomei no cu bonito! Tive que tirar o sapato com aquela sola do pé cracuda, esmalte semi-descascado e cutícula do tamanho de um champignon! Vai que ele te coloca em alguma outra situação impossível de prever que te obriga a tirar o sapato? Para nossa paz de espírito, melhor fazer mão e pé, até porque boa parte dessa raça tem uma tara bizarra por pé feminino. OBS: Isso me emputece. As mais caprichosas, além de fazer mão e pé, ainda fazem algum tratamento capilar no salão: hidratação, escova, corte, tintura, retoque de raiz, etc. Eu não faço, mas conheço quem faça. E nessa se vai mais uma hora do seu dia. Dependendo do grau de importância que se dá ao Zé Ruela em questão, pode ser que a mulher queira comprar uma roupa especial para sair com ele. Mais horas do seu dia. Ou ainda uma lingerie especial, dependendo da ocasião. Pronto, mais horas do dia. Ah sim, já ia esquecendo. Tem a depilação. Essa os homens não podem nem contestar. Quem quer sair com uma mulher não depilada, mesmo que seja apenas para um inocente jantar? Lá vai você depilar perna, axila, buço, virilha, sobrancelha, etc, etc. Tem mulher que depila até o cu! Mulher sofre! E lá se vai mais uma hora do seu dia. E uma hora bem dolorida, diga-se de passagem. Parabéns, você conseguiu montar o alicerce básico para sair com alguém. Pode ir para a cama e tentar dormir, se conseguir. Ah, sim, você vai dormir COM FOME. É hoje seu grande dia. Geralmente, o Zé Ruela não comunica onde vai levar a gente. Surge aquele dilema da roupa. Com certeza você vai errar, resta escolher se quer errar para mais ou para menos. Se te serve de consolo, ele não vai perceber. Alias, ele não vai perceber nada. Você pode aparecer de Armani ou enrolada em um saco de batatas, tanto faz. Eles não reparam em detalhe nenhum, mas sabem dizer quando estamos bonitas (só não sabem o porquê).. Mas, é como dizia Angie Dickinson: 'Eu me visto para as mulheres e me dispo para os homens'. Não tem como, a gente se arruma, mesmo que eles não reparem. E não adianta pedir indicação de roupa para eles, os malditos não dão sequer uma pista! Claro, para eles é muito simples, as 'Madames' só precisam tomar uma chuveirada, vestir uma Camisa Pólo e uma calça e estão prontos, seja para o show de rock, seja para um fondue. Nesse pequeno cérebro do tamanho de um caroço de uva só existem três graduações de roupa: Bermuda + Chinelo, Jeans + Pólo, Calça Social + Camisa Social. Quando você pergunta se tem que ir arrumada é quase certo que 'Madame' abra a boca e diga 'sei lá, normal, roupa normal'. Eles não sabem que isso não ajuda em nada. Escolhida a roupa, com a resignação de que você vai errar, para mais ou para menos, vem a etapa do banho. Para mim é uma coisa simples: shampoo + sabonete. Mas para muitas não é. Óleos, sabonetes aromáticos, esfoliação (horrível que seja com 's', né? deveria ser com 'x'), etc. E o cabelo? Bom, por sorte meu cabelo é bonzinho, não faz a menor diferença se eu lavar com um shampoo caro ou se lavar com Omo, fica a mesma coisa. Mas tem gente que tem que fazer uma lavagem especial, com cremes e etc. E depois ainda vem a chapinha, prancha e/ou secador. Depois do banho e do cabelo, vem a maquiagem. Nessa etapa eu perco muito tempo. Lá vai a babaca separar cílio por cílio com palito de dente depois de passar rímel. Melhor nem contar tudo que eu faço em matéria de maquiagem, se não vocês vão me achar maluca, digo, mais maluca. Como dizia Napoleão Bonaparte, 'Mulheres tem duas grandes armas: lágrimas e maquiagem'. Considerando que não faço uso das primeiras, me permito abusar da segunda. Se você for uma pessoa normal, não perde nem vinte minutos passando maquiagem. Depois vem a hora de se vestir. Homens não entendem, mas tem dias que a gente acorda gorda. É sério, no dia anterior o corpo estava lindo e no dia seguinte... PORCA! Não sei o que é (provavelmente nossa imaginação), mas eu juro que acontece. E quando você inventa de colocar aquela calça apertada e tem que deitar na cama e pedir para outro ser humano enfiarela em você? Uma gracinha, já vai para o jantar lacrada a vácuo. Se espirrar a calça perfura o pâncreas. Ok, você achou uma roupa que ficou boa. Vem o dilema da ligerie. Salvo raras exceções, roupa feminina (incluindo lingerie) ou é bonita, ou é confortável. Você olha para aquela sua calcinha de algodão do tamanho de uma lona de circo. Ela é confortável. E cor de pele. Praticamente um método anticoncepcional. Você pensa 'Eu não vou dar para ele hoje mesmo, que se foda'. Você veste a calcinha. Aí bate a culpa. Eu sinto culpa se ando com roupa confortável, meu inconsciente já associou estar bem vestida a sofrimento. Aí você começa a pensar 'E se mesmo sem dar para ele, ele pode acabar vendo a minha calcinha... Vai que no restaurante tem uma escada e eu tenho que subir na frente dele... se ele olhar para essa calcinha, broxará para todo o sempre comigo...'. Muito puta da vida, você tira a sua calcinha amiga e coloca uma daquelas porras mínimas e rendadas, que com certeza vão ficar entrando na sua bunda a noite toda. Melhor prevenir. Os sapatos. Vale o mesmo que eu disse sobre roupas: ou é bonito, ou é confortável. Geralmente, quando tenho um encontro importante, opto por UMA PEÇA de roupa bem bonita e desconfortável, e o resto menos bonito, mas confortável. FATO: Lei de Murphy impera. Com certeza me vai ser exigido esforço da parte comprometida pelo desconforto. Ex: Vou com roupa confortável e sapato assassino. Certeza que no meio da noite o animal vai querer dançar. Eu tento fazer parecer que as lágrimas são de emoção. Uma vez um sapato me machucou tanto, mas tanto, que fiz um bilhete para mim mesma e colei no sapato, para lembrar de nunca mais usar!. Porque eu não dei o sapato? Porra... me custou muito caro! Posso não usá-lo, mas quero tê-lo. Eu sei, eu sei, materialista do caralho. Vou voltar como besouro de esterco na próxima encarnação e comer muito cocô para ver se evoluo espiritualmente! Mas por hora, o sapato fica. Enfim, eu sei que existem problemas mais sérios na vida, e o texto é em tom de brincadeira. Só quero que os homens saibam que é um momento tenso para nós e que ralamos bastante para que tudo dê certo. O ar de tranquilidade que passamos é pura cena. Sejam delicados e compareçam aos encontros que marcarem, ok? E se possível, marquem com antecedência, para a gente ter tempo de fazer nosso ritual preparatório com calma... Apesar do texto enorme, quero deixar claro que o que eu coloquei aqui é o mínimo do mínimo. Existem milhões de outras providências que mulheres tomam antes de encontros importantes: clarear pêlos (vulgo 'banho de lua'), fazer drenagem linfática, baby liss... enfim, uma infinidade de nomes que homem não tem a menor idéia do que se trata. Depois que você está toda montadinha, lutando mentalmente com seus dilemas do tipo 'será que dou para ele? É o terceiro encontro, talvez eu deva dar...' começa a bater a ansiedade. Cada uma lida de um jeito. Agora imaginem vocês, se depois de tudo isso, ele liga e cancela o encontro? 'Surgiu um imprevisto, podemos deixar para semana que vem?'. Gente, não é má vontade ou intransigência, mas eu acho inadmissível uma coisa dessas, a menos que seja algo muuuuiiiiiiito grave! Eu fico puta, puta, PUTA da vida! Claro, na cabecinha deles não custa nada mesmo, eles acham que é simples, que a gente levantou da cama e foi direto pro carro deles. Se eles soubessem o trabalho que dá, o estresse, o tempo perdido... nunca ousariam remarcar nada. Se fode aí! Vem me buscar de maca e no soro, mas não desmarque comigo! NÃO CANCELEM ENCONTROS A MENOS QUE TENHA ACONTECIDO ALGO MUITO, MUITO, MUITO GRAVE! A GENTE SE MOBILIZA DEMAIS POR CAUSA DELES! Supondo que ele venha. Ele liga e diz que está chegando. Você passa perfume, escova os dentes e vai. Quando entra no carro já toma um eufemismo na lata 'HUMMM... tá cheirosa!' (tecla sap: 'Passou muito perfume, porra'). Ele nem sequer olha para a sua roupa. Ele não repara em nada, ele acha que você é assim ao natural. Eu não ligo, acho homem que repara muito meio viado, mas isso frustra algumas mulheres. E se ele for tirar a sua roupa, grandes chances dele tirar a calça junto com a calcinha e nem ver. Pois é, Minha Amiga, você passou a noite toda com a rendinha (que por sinal custou muito caro) atochada no rego para nada. Homens, vocês sabiam que uma boa calcinha, de marca, pode custar o mesmo que um MP4? Favor tirar sem rasgar. Quando é comigo, passo tanto estresse que chego no jantar com um pouco de raiva do cidadão. No meio da noite, já não sinto mais meus dedos do pé, devido ao princípio de gangrena em função do sapato de bico fino. Quando ele conta piadas e ri, eu penso: 'É, eu também estaria de bom humor, contando piada, se não fosse essa calcinha intra-uterina raspando no colo do meu útero'. A culpa não é deles, é minha, por ser surtada com a estética. Sinto o estômago fagocitando meu fígado, mas apenas belisco a comida de leve. Fico constrangida de mostrar toda a minha potência estomacal assim, de primeira. Para finalizar, quero ressaltar que eu falei aqui do desgaste emocional e da disponibilidade de tempo que um encontro nos provoca. Nem sequer entrei no mérito do DINHEIRO. Pois é, tudo isso custa caro".

Esse texto não é meu e queria descobrir muito quem o escreveu - MARAVILHOSO

16 abril, 2011

Joelho do cérebro

Por mais que eu tenha meus 26 anos e já tenha vivido coisa pra caramba. Por mais que tenha morado sozinha em outro país e ter tido que me virar pra poder comer, morar, trabalhar. Por mais que eu já tenha saído de relacionamentos seriíssimos. Eu tenho umas bobeiras que ninguém tem, ou que todo mundo tem, mas que só eu assumo na maior naturalidade, como se a bobeira fosse um prêmio ou uma coisa bem bacana de se ter. Eu tenho bobeiras sinistras, como por exemplo, pânico de barriga de grávida. Pois é, eu tenho medo e gastura e agonia. Tenho bobeiras quando alguém faz quebradinho. É assim, se você mexe o nariz de um lado pro outro, ele faz um barulho tipo quebrando. Tenho muito pavor disso. Bobeira maior é querer viver um conto de fadas, eu deixo tudo meio surreal pra parecer tão incrível e tão mágico. E tenho bobeira de não querer chorar por nada, mas se vejo um filme triste quase morro de tanto chorar, e sinto espasmos e acho que vou morrer com o personagem. Agora, bobeira de verdade é achar que todo mundo é bobo. Mas no fundo é uma honra. Porque só quem tem bobeira entende o quão louco o mundo é. Sentir a bobeira por muito tempo não dá, antes eu viva ela nas 24 horas do meu dia. Mas não dava. Tinha muita coisa pra fazer, tinha o menino bonito, a prova, a aula, a família, as amigas, os filmes. Mas no intervalo de qualquer coisa eu voltava pra ela, sempre ela, a bobeira que vivia comigo, que era a minha melhor amiga. E quem me vê até sabe que eu tenho umas bobeiras engraçadas, e logo ta todo mundo rindo, e eu tô rindo. E por dentro, um bichinho vai crescendo e afiando suas garras, sempre na defensiva. Vai que alguém resolve me sacanear? Você precisa viver mais a vida. Eu posso explicar melhor agora que sou adulta. É tipo assim óh: de repente, eu preciso ir embora, entende? Rápido, correndo. Por que o quê? Como assim? Porque eu morro, sei lá. Se ta bom demais me da tanta bobeira e eu quero parar, porque sei lá, vai que eu morro de sofrer depois? E se ta muito legal, eu começo a desconfiar. Mas peraí, por que ta tão bom assim? E, cara, tem alguma coisa errada. E você beija uma pessoa, dai você lambe uma pessoa, e dali uns meses, o quê? Não sei, sumiu. Sumi. E segue-se. Mas aí começou a piorar muito. Tipo todo mundo se divertindo e vivendo muito e eu pensando na minha bobeira. Eu já quis largar essa merda toda, e ser mais simples, porque só os complicados vivem de bobeira. Mas não é fácil. A gente vai indo. Algumas vezes de muletas, algumas vezes mutilados, algumas vezes sem nem poder tocar direito o chão. Mas vamos. E toda vez que penso nisso, eu choro um pouco. Porque eu sempre achei que a bobeira mandasse em mim. Mas hoje, depois de ter deixado a bobeira agir, eu fui lá e falei: "olha, eu quero ser feliz, na boa, eu preciso de ajuda e eu não quero mais ser boba, saca? De verdade". E a Tati me disse que a mente é como a perna. O joelho estraga se você fizer os exercícios errados. E fritar é foder o joelho do cérebro. E se o cérebro é só um joelho, então o quê? Nada. É isso. Um dia, você descobre que se começar a fazer as coisas direitinho a bobeira aos poucos vai ficando tão pequena, e meio que vai sumindo, e você esta salvo. Viver é esse mistério mesmo. Não adianta querer correr mais rápido pra chegar até o fim. O fim vem por ele mesmo. Então é só respirar e deixar que o mistério chegue na boa. É só isso que dá pra fazer. Ela ganha e ponto final. Ela ganha, mas a gente se diverte. Não dá pra entender nada. Mas é isso. A gente beija, se lambe e some. Com calma, você repara. E não é ruim. Com calma, você vai perdendo o medo de viver. E a vida fica mais bonita. É só isso. A vida. Com calma. Só a vida. Uma linda e magnífica bobeira da vontade que grita pra ser feliz.

30 março, 2011

Doce perfeito

Eu nasci e o médico disse pra minha mãe que ainda não sabia o que eu era: É uma menina, berrou ele contra o meu berro que era forte e sufocado. Minha mãe dá aquela olhada pra ver se esta tudo ok e comenta: “feinha pra cacete hein”? Eu não fui esses bebês lindos e gordos que enchem os olhos das pessoas. Pra minha avó eu até fui, mas conversando com o resto da família e olhando as fotos eu sei que a minha avó dizia isso por pena talvez, pensa, a única pessoa que me achou bonita logo que eu nasci. Mas minha mãe, mesmo não me achando um bebê lindo de morrer fez questão de sonhar a partir daquele dia com o meu príncipe encantado. Um homem alto, bonito, bem sucedido que se casaria comigo e me faria à mulher mais feliz do mundo. E eu, aos cinco anos de idade, nem sabia o que era isso de amor. Achava que a gente só amava a família, os brinquedos e o cachorrinho de estimação. Foi nessa época que abriu na rua de cima da minha casa uma doceria. A rua era bastante arborizada, com alguns gourmets e casinhas estilo colonial. Era outono e as crianças brincavam na rua enquanto seus pais tomavam café nas varandinhas que tinham por lá. Minha mãe que trabalhava muito nunca tinha tempo, mas me prometeu com dedinho (coisa sagrada pra mim desde criança) que no sábado me levaria. Tal como prometido, sábado chegou e eu toda arrumadinha ficava encantada com a vitrine repleta de doces, enquanto ela conversava com uma amiga na porta da loja. Tinha sonhos com recheio de doce de leite, muffins, pudins, flans, tartaletes, bombons decorados, barquinhas de chocolate. Tinha tudo. E eu, a mais de vinte minutos imaginando o gosto de cada um pra ter certeza qual queria provar. Quando enfim me decidi, pedi cheia de autoridade apesar da pouca idade: Quero o forro da tartalete, cobre com nutella, põe mousse de limão, chantilly e morangos. A mulher me diz sorrindo que esse doce não tem. Eu indignada pergunto se ela não pode fazer pra mim, por que é esse o doce que eu quero. Sem um pingo de compaixão ela diz que eu devo escolher um daqueles da vitrine. Com os olhos cheios de lágrimas vou até ao encontro da minha mãe e digo que não quero mais doce nenhum, porque o ÚNICO que eu queria não tem. Preferi ir embora sem provar doce algum, porque na minha cabeça, provar outro doce seria como trair o meu doce perfeito. A garotinha cresceu e aprendeu a trocar o desejo pelo doce perfeito no cara perfeito que me resgata do alto da minha torre, e faz por mim o que Rodrigo Santoro faz nas novelas. Querendo que ele enfrente dragões, bruxas, lobos selvagens. Que sofra,e que vare a noite atrás de mim e que faça tudo o que o Noah fez pela Allie. Que ele impeça com que eu vá embora e grite que me ama pra todo mundo ouvir. Que ele chorando seja como o Hank quando chorou pela Karen, meio sexy, meio bravo. No entanto, os amores da vida real não são tão mágicos e tão arrebatadores como os que a gente vê nos filmes. Eles são pessoas normais, que dão duro pra caramba, estudam, e nos levam pra jantar cheios de entusiasmo. São príncipes à sua maneira, e eu não passo de uma menina querendo roubar o papel da cinderela, mas lá no fundo, a carência existencial que existe em mim herdada no berço jamais será preenchida. Vira e mexe vou olhar pela janela e suspirar por algo que nem sei direito o que é. Assim como o doce perfeito não existiu pra mim aos cinco anos idade, meu príncipe encantado, o cara perfeito não existe aos 26. Só que dessa vez tem uma diferença, aprendi a provar doces, vai que eu acho um parecido com o meu doce perfeito?
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