29 abril, 2010

Saudade de Abril

Não tem posição. Não tem dia. Não tem hora. Nada faz passar. Não tem risada que encubra. Não tem filme que te faça esquecer. Fugir não adianta, porque em todos os cantos ela vai estar lá. Dormir, correr, viajar, pular, nadar, malhar. Quebrar um prato. Fazer alguma coisa terrível. Ser má, cruel, ou simplesmente bondosa, caridosa. Nada. Ela não admite, não permite, mas não é nada. É o que então? É esse sentimento que quando o momento tenta fugir da lembraça pra acontecer de novo ele não consegue. Porque “pra saudade não existe cura. Tudo o que podemos dar a ela como consolo é inútil. Por isso Fernando Pessoa escreveu: ‘Mas por mais rosas e lírios que me dês, eu nunca acharei que a vida é bastante. Faltar-me-á sempre qualquer coisa, sobrar-me-á sempre o que desejar...’ A alma é como um queijo suíço, cheio de buracos que doem no seu vazio... Há um esquecer que é uma felicidade. É como o mar que limpa e alisa a areia que os homens haviam pisado na véspera”. E esse sentimento que quase não cabe. Que quase não dá pra suportar. Sempre cabe, e sempre dá. Porque ela sempre fica. Sempre. É preciso aprender a conviver com ela sem desespero. Ela é o que é. A única coisa que resolve é ser madura. Mulher. E seguir com a vida. Deixando ela num canto sombrio do nosso coração. E como disse a grandiosa Martha Medeiros "Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche". E ela fica lá, imperial, centenária, senhora do mundo. Como se isso fosse alguma coisa pouca, ainda que seja absurdamente só. É só saudade. Eu sei, eu sei, o eterno clichê “isso passa”. Passa sim e, quando passar, algo muito mais triste vai acontecer: eu não vou mais sentir falta. É triste saber que um dia vou simplesmente lembrar e não sentir mais nada...

15 abril, 2010

Uma "cerva" gelada, por favor!

Simplicidade. Foi essa a palavra que martelou durante a noite toda na minha cabeça. É assim que a gente se entende. É assim que esse nosso arroz com feijão de cada dia é digerido. Tomar um café. Ter com quem falar. Saber ouvir. É simples amar quando a gente vê que o outro faz tudo pra te agradar. É simples desejar a companhia de quem te entende tão bem, que fala a mesma língua, que conhece o teu olhar, o teu jeito de andar. É simples querer tomar uma "cerva" gelada durante os intervalos. É simples querer dividir os revezes da vida com quem não te julga, mas que te entende. Que não te condena, mas que te aconselha. É simples fazer das obrigações momentos de pura diversão quando a gente ta do lado de alguém que só te faz sorrir. É simples ter a perfeição do teu lado mesmo ela sendo tão imperfeita. Eu sei que a simplicidade da nossa amizade faz mesmo com que eu ame isso que a gente tem. Essa relação sincera de pura cumplicidade, de muito companheirismo. A gente é brother. Tu é realmente a minha parte máscula. Eu sou todos os palavrões tão bem dados que tu já deu. Eu sou o teu sorriso espalhafatoso depois de uma piada. Eu sou as tuas tiradas geniais. Eu sou o teu humor negro. Eu sou o teu interesse em querer aprender mais. Eu sou quase a Karen, o problema é que eu queria mesmo ser o Hank. Eu sou infinitamente mais a tua companhia. Porque eu sou os teus ouvidos, a tua boca . sou teus braços, pernas. Eu sou mesmo um pouco de ti, porque consigo ver em ti, um monte de mim. Porque tu é o único amigo que eu tenho que entendeu essa minha vontade de amar o mundo. E o único que sempre entendeu também, o meu choro, porque se é quase impossível amar alguém, o que dirá amar o mundo.

13 abril, 2010

Eu e meu freela

Eu sempre curti a idéia, mas sempre achei que ela não aconteceria comigo, pelo menos agora. Sim, eu sou daquelas que gosta das coisas muito certinhas, qualquer sinal de muita liberdade me tira o sossego, me rouba a paz. Tem que ser preto no branco. Mas tinha uma admiração brutal por aqueles que conseguiam sem pudor, viver assim, deixando levar. Na onda do tudo há seu tempo. Eu que sempre defendi que “a realidade se forma em volta do compromisso”. Mas não tem sempre aquela história de que o mundo prega peças? Ainda bem que não existem verdades absolutas. Eu tô freela. Pois é, o que acontece é que tudo mudou. E eu to freela agora, e que sensação maravilhosa é essa? Em plena segunda me reuni com o pessoal pra comemorar que eu e o meu freela estamos bem, somos livres, nos amamos, e somos muito felizes. Imaginem a minha felicidade ao sentir a liberdade? E agora, eu fico por ai, exibindo o meu sorriso leve, porque além de tudo isso, eu emagreci. Não sinto as dores do mundo. E faço desse pequeno momento, ainda que tão superficial, de uma alegria profunda, que deixa essa superficialidade brilhar sem me importar com o que vão achar. E eu entrego de mão beijada a minha alma e o meu sorriso leve, pode pegar sem cerimônia. Eu não sei quanto tempo isso vai durar. Até onde essa falta de compromisso todo vai me fazer ficar assim, radiante. Pode ser que amanhã mesmo, eu queira tudo de volta. Queira respirar o ar do compromisso, dos contratos, queira a segurança. Volte a desejar o amparo firmado entre as partes. Eu sei que hoje eu tenho horas livres, e posso voltar a pensar um pouco mais em mim. Eu sei que hoje, eu voltei a estar no centro da minha atenção, e posso me dar ao luxo de esquecer, ainda que por algumas horas as cobranças da vida adulta. Eu sei que hoje, isso era o que eu precisava pra me desarmar, sorrir sem dúvidas, sem as chatices constantes que só as obrigações te podem dar. Eu sei que era disso o que a minha alma precisava. Esse bendito freela, apareceu pra me deixar leve. Sorrindo de bobeira. Dançando feito idiota de tanta alegria. Cantando pro mundo. Acreditando que tudo pode dar certo. Fazendo mil planos. Vivendo sem questionar. Sim, ele conseguiu fazer com que eu me sentisse extremamente feliz. Eu to tão feliz que tirei férias dos meus textos melancólicos e cheios de neuroses. Quando acabar eu volto.

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