Sexta feira, sete da noite. Aparentemente seria mais uma noite comum. Até ele começar a falar. Não aconteceria nada demais. Não poderia acontecer nada demais. Mas eu olhei, e quando olhei eu vi. Alguma coisa aconteceu. Eu senti. Eu imaginei. Afastei de mim qualquer possibilidade. Seria complicado demais. Não ia dar certo. Ele era a maçã do meu Edem. Mas alguma coisa em mim tinha se partido, se rompido. Pela primeira vez depois de muito tempo eu vi alguma coisa. As vezes eu ficava encantada. Literalmente emocionada. Sorria e desviava os olhares. Será loucura? Mas eu sorria da minha loucura. Eu olhava pra baixo como uma menina de cinco anos examinando meu sapato, imaginando um mundo fora dali. Olhava pro lado a espera de um olhar amigo. Meus olhos fechavam e eu pedia socorro. Mas eu adorava. Meu rosto queimava. O coração acelerava. Doia a barriga. A perna tremia. Deus, como era bom sentir aquilo tudo. E ele sorria. Uma explosão acontecia. Com seus olhos pequeninos, ele me olhava. E ele sorria. Com um ar de quem sabia tudo, ele falava. Ate que eu vi ele se aproximando. Ele chegou perto. Eu perdi a voz. Eu não sabia mais falar. Eu pensava: Vai, fala alguma coisa, ele vai achar que tu é retardada. Rápido! Ele ta indo embora. Eu balbuciei alguma coisa idiota como as adolescentes que ficam nervosas demais pra falar alguma coisa produtiva. E ele sorriu. E eu sorri de volta. Ele disse que eu era especial, que igual a mim ele nunca tinha visto. Ele me olhava e dizia.' Tão nova e tão madura, como pode'? Ele me admirava. E eu pensava. Achei! É ele! Enfim, pararam-se as buscas. Definitivamente é ele! Mas parou de chover. Ele pegou o casaco e foi embora. Me sentei sozinha e esperei ele voltar sem pronunciar uma unica palavra que não fosse. Não demora! Sexta feira, sete da noite. Você demorou. Já não quero mais! E com um ar de quem já não entendia mais nada ele disse que não era pra eu fazer isso. Sem saber se eu estava certa e numa convicção jamais vista, falei. Você não é pra mim! Não me procura mais. Para de sorrir fechando esses olhos lindos. Não é mais pra me elogiar. Não quero mais. Você demorou! E ele foi. Ele aceitou o que eu disse. E ele não voltou. Eu esperei ele voltar. Eu disse: 'Por que você não voltou? Por que não lutou? Por que aceitou ir embora? Foi quando ele disse. Você é complicada demais. Você não queria mais e eu segui em frente. E eu fiquei petrificada. Paralisada. Eu não conseguia respirar. E com um sorriso nos lábios eu disse. Viu, eu não falei que você não era pra mim?
06 março, 2010
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Um comentário:
ele nao, mas talvez eu seja
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