O último capítulo da sexta temporada da Grey’s Anatomy chegou ontem pra mim. Eu comecei a me viciar nessa série em Portugal. Bastou um episódio pra que eu descobrisse que amava aquilo e que não conseguiria me desvencilhar da pergunta “e agora, o que será que vai acontecer”? As primeiras duas temporadas o Derek bonito de doer à alma eu vi em dois dias (eu fico sem dormir, por exemplo, não é muito normal, mas é assim que sei gostar). A Meredith era super complicada, se queria não sabia se queria, quando não queria fazia. Enfiava os pés pelas mãos, não sabia chorar. Tinha problemas em se entregar. Mas tinha sempre a Cristina ao seu lado, tão complicada quanto, mas que as duas viram nas suas complexidades excelentes companheiras, e deixavam que as suas maluquices andassem juntas, enquanto elas riam e por vezes choravam. Eu ficava tentando ver um pouco de mim em cada personagem. E me encontrava. Eu já chorei e fiquei dois dias malzona quando o George morreu, passei o dia sorrindo quando a Izzie casou com o Karev. Eu sei eu sei, é só uma serie, é ficção, não é real. Eu posso explicar a bizarrice ocorrida com a minha pessoa na noite de ontem. Enquanto tinha festas e convites pra sair, eu disse que ia pra casa, por que tinha que terminar umas coisas importantes. Era a serie, não podia passar mais nenhum dia sem saber o que ia acontecer com todos aqueles casais, com a Meredith que andava tão feliz e serena, com a Cristina que descobriu que o Hunt não sabia se gostava dela de verdade. E eu chorei. Ah eu chorei. Foi tudo tenso. Nos dois últimos capítulos um cara do inferno veio pra se vingar porque a sua mulher morreu e tinha assinado um termo de proibição pra ressuscitá-la, caso fosse necessário. E quando foi, a equipe médica não podia fazer nada. E ele quase morre com a sua amada. Resolveu então, se vingar de todos aqueles que tinham contribuído pra sua quase morte. Aí ele conseguiu dar um tiro no peito do Derek, mas a Cristina conseguiu fazer uma cirurgia. O cara do mal surge de novo no meio da cirurgia e ameaça matar todo mundo se eles não parassem de operar o Derek. Ai surge a Mer, e se oferece pra morrer no lugar dele. Ela tava grávida. Nem lembrou de nada. Ela disse: “Se você me matar ele vai sentir muito mais”. Um rio de lágrimas, com direito a tremedeiras, suores frios me fizeram pensar seriamente que talvez eu não fosse assim, tão normal. Definitivamente não era normal sofrer assim por um capítulo de série. (eu sei que esse texto ta meio ridículo, mas eu precisava escrever isso, desculpa). Mas sabe o que acontece? Eu pensei no que meu novo e engraçado amigo de email de fim de dia vem me falando à semana inteira. A gente vai escolhendo as pessoas, aceitando o rumo que a vida vai tomando por puro medo de ir em busca daquilo que se acredita. Porque gente, enquanto o homem do mal andava pelo hospital matando a galera, as pessoas iam se decidindo, entende? O Hunt que não sabia se amava a Cristina viu que amava. O Karev que dizia que queria se separar da Izzie, que chegou a assinar os papéis do divórcio, na hora da dor (porque levou um tiro) chamava o nome dela e pedia pra que ela não fosse embora nunca mais. Por que, meu Deus, por que a gente não para pra ir em busca daquilo que a gente realmente quer? E o pior, como a gente é capaz de aceitar que aquilo que a gente ame saia de perto da gente? Por que a gente se resigna a aceitar o que o destino põe na nossa frente? É um verdadeiro tormento lutar por aquilo que se quer de verdade. Lutar cansa né? Parece que as pessoas não sabem mais amar. São incapazes de continuar sentindo (e eu já falei isso uma vez). O Derek sobreviveu ao tiro, a Meredith teve um aborto espontâneo pelo grau de emoções que teve. E todo mundo se decidiu. Todo mundo viu o que era mesmo importante na sua vida, porque veio aquele velho clichê “viva como se fosse o ultimo dia da sua via, porque um dia será”. E eu acabo com esse texto horrível, sem saber se você teve saco pra me ouvir dizer que eles chegaram ao fim e se decidiram. Eu só não faço o mesmo por que os meus motivos ainda são motivos...
22 maio, 2010
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