18 agosto, 2010

Pelas horas que são

Sensível, seletiva, inteligente, sem frescura, contra modinhas, amante de uma boa leitura, ouve musica boa, assiste futebol. Ok! Agora o que eu faço pra ter uma boa roçada de barba no meu pescoço, mãos quentes percorrendo o corpo, beijos apaixonados com trilha sonora e muito frio na barriga? Eu não posso, e não me permito sair por ai estragando toda a fama que eu criei de difícil que nem beijo na boca à toa sai dando, deixar que um cara qualquer realize os meus desejos. Não existe a possibilidade que eu simplesmente saia de casa vestida com decotes insinuantes, bem maquiada, atrás de homens que só querem roçar suas barbas em pescoços, esfregar suas mãos quentes em corpos, dar beijos, não necessariamente apaixonados. Com tudo o que eu sei e entendo por vida, esses prazeres só aumentam o buraco na alma, só serve pra lembrar que se divertir com o cara errado, te faz pensar muito mais no cara certo. Se eu quiser de verdade, eu até tenho alguns caras bem legais, e bonitinhos e aparentemente interessantes, que cheiram bem e que conseguem a minha atenção por algumas horas. Mas não seria justo com eles, comigo, com a minha vontade, com o meu pescoço, com a natureza, com a música, com o mundo. E depois eu faço o que com eles? Não tenho paciência pra ser cheia de frescuras e não sou homem pra me livrar de encostos com facilidade. Final de qualquer coisa sempre chega pra mim com uma bomba prestes a explodir. Ex namorado? Ex paquera? Também não dá. Eu sou ponte de novos relacionamentos. E isso é sério. Mal terminamos e eles engatam em namoros tão sérios que sempre acho que todos estão prestes a casar. Queria um novo romance, um ombro quentinho e acolhedor pra filmes no cinema. Num mundo perfeito estaria tudo incrível. Mas lá no fundo. Bem lá no fundo mesmo, pra falar a verdade. Falta alguma coisa. A minha cabeça, sempre pede por mais. Leia mais. Estude mais. Trabalhe mais. Se concentre mais. Se exercite mais. E eu vivo pressionada, porque sempre acho que faço tudo menos. Na verdade eu acho que eu não faça é nada. Se leio, leio pouco, estudo pouco, trabalho pouco, saio pouco. E o meu cérebro fica lá, gritando, martelando. E como se merda por si só não é coisa pouca, ainda tem o meu lado carente que grita dentro de mim. Esse meu lado burro, ignora tudo. Ignora que eu não seria capaz de me entregar pra qualquer idiota. Queria arrumar um namorado, um amorzinho, passear de mãos dadas, ver filme bom, dormir agarradinha. E me entregar pra qualquer um? Pra quê? Pra acordar triste, com raiva, com nojo de ter se deixado levar por um desejo físico totalmente sem alma? Meu cérebro me diz que isso passa. E enquanto não passa eu tô lá, olhando aquele sorriso, vendo aquela boca, congelada em desejos e instantes que não passam. Minha vida atual é uma luta constante entre carne e espírito. Um evolui e é preocupado com o que acontece lá fora. A outra, quer ver o circo pegar fogo, mas aqui dentro. E no final, eu não sou carne e nem espírito. Nem tão neurótica e nem tão dada. Nem santa e nem pecadora. Minha carne me faz sentir saudade de quem me fez sofrer, me deixa com buracos impossíveis de preencher. Ela podia congelar, tirar um tempo pra meditar, fazer um tour com meu espírito num desses passeios espirituais. Troco tudo por um pouco de paz e tranqüilidade. Eu só quero ser feliz. Eu quero respeitar o meu espírito que manda fazer tudo direitinho, mas quero ter um cara bacana do meu lado que me leve pra tomar café no fim da tarde e me pergunte como foi o meu dia. Quero um cara bonzinho que me ajude a parar de escrever merda pra que eu possa ganhar muita grana, muito prestigio, e muito glamour. E que o cara bonzinho sacie a minha carne, e roce a tal barba no meu pescoço e faça algumas sacanagens comigo. Claro!

Um comentário:

Aninha disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
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