27 junho, 2013

Meia maratona

Se tudo fica calmo, e o silêncio impera, a vida se aquieta demais, a gente logo arruma um jeito de reclamar...  Mas se a gente ficar quietinho vai ver uma harmonia bonita de viver. (É só minha opinião). Eu li outro dia que o “tédio era um primo-irmão moleque que está sempre de soslaio, e que não consegue ver sossegadas as tranças bem-feitas da prima harmonia”. Já reparou nisso? Por que eu fico aqui pensando... Se eu quiser (e às vezes - não tem), tem um monte de coisa pra fazer. Mas eu só quero o sossego... O que é tranquilo... Eu to em outro momento, em outro movimento. Desses reflexivos, sabe? Me questiono e faço tantos planos... Me conjugo em verbos inéditos. Não que eu não repita os velhos, e me atormente com erros passados, não é isso... Parece que me retirei desse tempo. Cheguei a uma amizade comigo que eu ainda não tinha experimentado... Numa harmonia que por muitas vezes ficou escondida pelo tédio.  Vira e mexe ele me visita. Me enche a cabeça. Mas eu to aprendendo a lidar com ele. Fiz igual aos donos de cachorros que moram em apartamentos, e precisam levar os pobrezinhos pra passear. Levo meu tédio pra rua. Corro tanto com ele, que ele põe a língua pra fora, até quase achar que vai morrer... Aí quando isso acontece, diminuo o ritmo e fico observando tudo em volta. Tem dias que to ácida, acho tudo feio, tudo meio pé de macaco... Mas tem dias que ta tudo tão bonito que dá gosto de ver! Acho que no fundo é isso. O movimento mais preciso da vida: achar graça!, aproveitar!, chorar!, correr!, se entediar!... Viver! O tédio vai estar presente cutucando a harmonia. Ele é tão importante quanto à felicidade. Acho até que ele é o caminho pra gente chegar até ela. Pensa comigo: é só no meio do tédio que a gente percebe o que precisa mudar.

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