Se tudo
fica calmo, e o silêncio impera, a vida se aquieta demais, a gente logo arruma
um jeito de reclamar... Mas se a gente
ficar quietinho vai ver uma harmonia bonita de viver. (É só minha opinião). Eu
li outro dia que o “tédio era um primo-irmão moleque que está sempre de
soslaio, e que não consegue ver sossegadas as tranças bem-feitas da prima
harmonia”. Já reparou nisso? Por que eu fico aqui pensando...
Se eu quiser (e às vezes - não tem), tem um monte de coisa pra fazer. Mas
eu só quero o sossego... O que é tranquilo... Eu to em outro momento, em outro
movimento. Desses reflexivos, sabe? Me questiono e faço tantos planos... Me
conjugo em verbos inéditos. Não que eu não repita os velhos, e me atormente com
erros passados, não é isso... Parece que me retirei desse tempo. Cheguei a uma
amizade comigo que eu ainda não tinha experimentado... Numa harmonia que por
muitas vezes ficou escondida pelo tédio. Vira e mexe ele me visita. Me enche a cabeça.
Mas eu to aprendendo a lidar com ele. Fiz igual aos donos de cachorros que
moram em apartamentos, e precisam levar os pobrezinhos pra passear. Levo meu tédio pra rua. Corro tanto com ele, que ele
põe a língua pra fora, até quase achar que vai morrer... Aí quando isso
acontece, diminuo o ritmo e fico observando tudo em volta. Tem dias que to
ácida, acho tudo feio, tudo meio pé de macaco... Mas tem dias que ta
tudo tão bonito que dá gosto de ver! Acho que no fundo é isso. O movimento mais
preciso da vida: achar graça!, aproveitar!, chorar!, correr!, se entediar!...
Viver! O tédio vai estar presente cutucando a harmonia. Ele é tão importante
quanto à felicidade. Acho até que ele é o caminho pra gente chegar até ela.
Pensa comigo: é só no meio do tédio que a gente percebe o que precisa mudar.
27 junho, 2013
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