06 maio, 2012

Quando ele falou em saudade...


      Quando ele me perguntou se eu tinha saudade do passado eu voltei e lembrei de você. Era um mantra, um hábito, uma mania. Lembrei dos dias ensolarados, das tardes no sofá, lembrei de sunny de laranja, lembrei do ursinho segurando uma plaquinha engraçada me chamando de mamãe, lembrei do elevador e de um sonho realizado, lembrei de berço, de bicicletas, lembrei de jogar bolinha com uma croc’s . Lembrei de tudo e não senti saudade de você. Resolvi falar hoje porque foi a primeira vez que eu não senti meu coração apertar e não quis estar em outro lugar. Foi tão bom. Foi tão perfeito. Eu fiz silêncio. Esperei chegar. Esperei pelo barulho, pelo olho brilhante perdido em momentos mágicos. Já faz tempo, eu sei... Mas é que foi a primeira vez, e a primeira vez a gente não esquece. Lembrei da roupinha do ursinho sentado na cadeira e não senti vontade de abraçar, de sentir o cheirinho dele. Não quis correr pros seus braços... E me da um pouco de vergonha imaginar você lendo isso, pensando que o tempo passou pra você e congelou pra mim. Me da até uma dor na ponta do estômago imaginando a sua cara sorrindo com um pouco de pena, lembrando o tanto que eu era, e se perguntando se eu deixei de ser. Eu senti saudade de mim. Descobri isso depois de ter sentido tanta saudade de você. E me deu tanta saudade dos dias que eu era criança e chorava por besteira, e não tinha certeza de nada e que segurar na mão era tudo, e que eu vivia sorrindo, e que eu sentia frio na barriga sempre, e que queria sentar bem coladinha pra não ter espaço nenhum. Saudade de voltar olhando no olho, de desligar meu telefone porque não queria mais falar com ninguém... Saudade de não querer parar. De querer brincar. De olhar e ser entendida e atendida. Saudade de chorar de saudade. Eu era tão sim, e fiquei tão assim... Meio sem graça, perdi a bossa. Perdi a nota, a afinação, perdi o tempo, o passo e o compasso. Me perdi quando deixei de sentir. E sinto tanta saudade de mim que chega a doer. E me vejo pequena. Me sinto minúscula com vontade de crescer. Mas toda vez que eu cresço eu sinto mais saudade de quando era pequena. Quanto mais adulta eu me torno, mais a menina que andava sem tocar nas linhas do chão se afasta de mim. Como matar e querer que continue vivendo? Como voltar se o bilhete era só de ida? Sinto o aperto no peito. Entendo que esse tempo todo foi por mim... Era por mim que eu chorava e que sentia tanta falta. Sorrio e peço: ‘me ajuda a não sentir tanta saudade de mim’?!

2 comentários:

rodrigo disse...

Que coisa mais linda loirinha

Anônimo disse...
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