Quando eu resolvi que era chegada
a hora de acabar com a brincadeira me pediram calma. pediram pra que eu esperasse, tivesse paciência, não fizesse isso. Disseram que eu me
arrependeria. Contaram historias com finais felizes, me cercaram de exemplos.
Sorriram pra mim. Tentaram me acalmar. Me culparam. Disseram que eu que era
isso... Que era assado... Eu que sempre fazia isso... Eu que nunca abria o
peito pra ninguém entrar... E me fizeram duvidar do que eu sentia, do que eu
queria. Me deram a insegurança de presente embrulhada com camadas de duvidas e
remorsos... Mas ainda assim. Mesmo com a maré contra, com os ventos frios e me
sentindo muito sozinha na decisão eu optei por fazer aquilo que julgava "certo".
E o certo era tão errado. Tinha jeito
de hora marcada, de falas certas nos momentos mais incertos. A palavra
amiga na hora da briga. A calma na agonia. Era o presente esperado. A dívida
perdoada. Era tudo tão certo. E me doía e eu quase chorava. Imaginava cenários felizes.
Fotografias estampando sorrisos em momentos divertidos. Desenhava coreografias
em notas cantaroladas. Mas não era. Não dava. Faltava a loucura. Aquele jeito
de quem vive muito e vive tudo ao máximo aproveitando cada segundo. De quem
nunca boceja. De quem não fala banalidades contextualizadas. Era justamente o
certo que fazia tudo ser tão errado. E o errado tomou forma de certo. Era
justamente isso que me fascinava. Era o cheiro com mistura de tabaco, pele, álcool
e rock. Era a estampa da santa na perna que ia em direção contraria a tudo o
que foi desejado pra mim desde criança. Era o jeito de olhar, meio deprimido,
meio feliz, meio tímido, meio sorrindo. Era meio assim... Feito por metades que
se somavam e se completavam. Era a voz rouca. A maneira de olhar nos olhos. A liberdade de ir e vir, e deixar o espaço da saudade. Da vontade de
não sair do lado. De ter o mistério do dia seguinte. De toda falta de
segurança. O jeito que vai doer, e doe, mas passa. Mas era tudo tão
torto. Era o lanche da tarde no café da manhã. Era a brisa criativa em noite
ensolarada. E o errado parecia ser tão certo e tão feliz. Era o avesso que
encantava. A pintura na loucura. A criação no caos. Era ser
brother por opção. E abrir mão de tudo pelo momento, ainda que fugaz... E me
disseram pra ir com calma, pra esperar, ter paciência... porque dessa vez eu poderia me machucar... Já que o errado era o certo pra mim!
22 maio, 2012
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