09 abril, 2012

E agora?


Todo dia, seja lá qual for à hora, a gente ta sempre dando/recebendo conselhos. Esse é o momento em que nós assumimos a necessidade de "ajuda", de uma "orientação". Sobre o amor, amizade, sofrimento, trabalho, vida, carreira, filhos... Como trocar a fralda? O que é bom pra dor de barriga? Continuo insistindo nesse namoro? Peço demissão? Volto pro meu marido? Coisas simples, coisas complexas, não importa, a gente ta sempre nessa roda gigante dos  conselhos. Passam-se os anos, o cabelo fica branco, a pele enruga, a bunda cai, o nariz cresce, e ta todo mundo lá, correndo atrás do rabo da felicidade. Todo mundo precisando de um instante pra verificar a rota, se preciso for, se reposicionar e voltar a caminhar. Não é feio pedir ajuda. Não é triste chorar e ligar pras amigas (as de verdade) a hora que for, engasgada no próprio choro e na terrível confissão: eu não sei o que fazer! E todos se desdobram em conselhos. Faz isso! Vive aquilo! Tenta daqui! Espicha de lá! Cai fora! Fica! Shakespeare disse: "Aceita o conselho dos outros, mas nunca desistas da tua própria opinião". Ninguém vai sorrir e chorar mais que você. Se quiser fazer - FAZ! Se não sabe, não faz nada, de algum jeito a gente sabe a hora certa pra fazer com que tudo se ajeite. Acho que o conselho mais certo seria: saber pra quem pedir ajuda. Achei uma boa conselheira. Uma vovozinha de 92 anos que no alto desses anos viu o que era realmente importante...

1. Deixe fora os números que não são essenciais. Isto inclui a idade, o peso e a altura. Deixe que os médicos se preocupem com isso.
2. Mantenha só os amigos divertidos. Os depressivos puxam para baixo.
3. Aprenda sempre: aprenda mais sobre computadores, artes, jardinagem, o que quer que seja. Não deixe que o cérebro se torne preguiçoso. ‘Uma mente preguiçosa é oficina do alemão. E o nome do Alemão é Alzheimer!
4. Aprecie mais as pequenas coisas. 
5. Ria muitas vezes, durante muito tempo e alto. Ria até lhe faltar o ar. E, se tiver um amigo que o faça rir, passe muito e muito tempo com ele ou ela!
6. Quando as lágrimas aparecerem,  aguente, sofra e ultrapasse. A única pessoa que fica conosco toda a nossa vida somos nós mesmos. Viva enquanto estiver vivo.
7. Rodeie-se das coisas que ama, quer seja a família, animais, plantas, hobbies…
8. Tome cuidado com a sua saúde: se é boa, mantenha-a. Se é instável, melhore-a. Se não consegue melhorá-la, procure ajuda. 
9. Não faça viagens de culpa. Faça uma viagem ao centro comercial, até a um país diferente, mas NÃO para onde  haja culpa.
10. Diga às pessoas o quanto as ama.

*bota pra tocar:  The one I love - Greg Laswell

2 comentários:

Vanessa disse...

sábios conselhos

Aninha disse...

Vista cansada

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa ideia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima ideia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia a dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.


A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.
Mário Quintana

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