Nos conhecemos em Paris. Fazia frio e eu caminhava em volta
da tão famosa torre Eiffel. Tentando registrar aquele momento enquanto
eternizava na mente, no coração e na minha lente digital eu acabei esbarrando
nele. Mentira! Eu quis começar o texto assim porque achei chique. A
verdade é bem diferente, não que não tivesse glamour ou algo do gênero, mas foi
bastante real e quando se trata de realidade as coisas acabam perdendo o brilho
e mistério que os livros, músicas e filmes vendem pra nós. Era um dia comum,
uma noite comum que não prometia nada, mas acabou rendendo tudo. Talvez ele fosse me fazer chorar, talvez eu morresse
enterrada em sonhos não vividos... Talvez... Talvez ele fosse o amor da minha
vida, talvez ele tivesse sido o pai dos meus filhos, talvez ele fosse o meu
melhor amigo, talvez... Quem sabe o que aconteceu num filme que ninguém viu? Eu era boa de paquera, aquela velha
arte de sedução que te prende em falas e risos e você se perde do mundo e esquece
o tempo. O tempo passou e eu fui enferrujando... Na verdade eu sentia preguiça.
Muuuuita preguiça de começar tudo de novo. O que eu gosto o que eu não gosto, paridades,
disparidades, arestas que precisam ser aparadas, crises tolas que nos fazem rir
depois que passam sem grandes estragos. É, essa é a verdade. Preguiça pura e
crua. Gente desinteressante que chega e sai e volta e quer ficar, fizeram de
mim a maior preguiçosa do mundo... Mas com ele foi diferente. Num papo leve e
simples foram umas cinco horas de conversas ininterruptas. Quase não teve
beijo, quase não teve amasso... Mas teve papo... Leitura, risos, e uma coisinha
estranha na cabeça, uma questão que se levantou. Será? Talvez... Eu pensei. Os
dias se passaram e as coisas continuaram nesse ritmo, meio bossa, meio velho, mesmo
tão novo... E eu pensava... Talvez. Talvez o quê? É ele? Sou eu? Somos amigos?
Namorados? Somos o quê? Não sabia responder. A minha cabeça fervia com a falta de respostas. E a paz... Ah isso eu sabia. Essa era a única
certeza. Com ele eu tava em casa. Tinha cheiro de amaciante, tinha gosto de
chazinho a tarde na varanda. Tinha som de passarinhos cantando numa manhã
ensolarada. Tinha jeito que era, mas que faltava. Talvez... Eu não sabia responder ao que faltava. E eu
inventava. E não dava. E eu comecei a sofrer já que as perguntas que antes ficavam
presas num canto escuro do meu coração de repente conheceram a claridade. E
elas, que antes me olhavam, começaram a gritar comigo. E pareceu
que de tão certo, tava tudo tão errado e tão injusto. E eu chorei. E se no fundo
for tudo culpa minha? Talvez! E se eu mais uma vez joguei o amor da minha vida
fora, com medo de perder a vida? Talvez! E se ele não era o cara que eu sempre
sonhei? Talvez! E se nós nos conhecemos porque Deus me ama tanto que me deu o
melhor amigo que eu poderia ter? Talvez! E se a vida for só isso mesmo? Talvez!
Talvez! Talvez a vida seja só isso. Eu perdi porque quis perder, e não achei
porque não era a hora, e quem sabe o final da historia se nunca chegou a ler livro
todo, não é mesmo?!
23 abril, 2012
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