No começo a gente começa simples, sem apelidos, mas é só até o tempo passar pra gente ir construindo uma linguagem muito própria. Coisinhas que vamos fazendo com a outra pessoa, criando um dicionário muito único, muito nosso. São códigos que se decifram em beijos e sorrisos. Olhares que se completam, expressões que gritam em meio ao silêncio. Silêncio que com o tempo a gente descobre falar claro. Fragilidade que é demonstrada com orgulho, intenção que se revela num piscar de olhos, numa jogada de cabelo, numa virada de pescoço. São mãos dadas que se soltam e de novo se agarram e dão a sensação de segurança perante a platéia que se aproxima curiosa e intrigada. Mas pra quem faz o movimento e deixa a palma da mão aberta pra logo fechar, sente o corpo ser tocado e sente ele todo se aquecer. E há os beijos. Nessa parte da até pra catalogar. Tem o cartão de crédito, a respiração, o chip, o pior beijo do mundo, há o beijo molhado, o seco. E pra cada beijo uma história, uma risada, uma intenção. São prévias precisas da noite que vem, e quando a gente beija, a gente diz muita coisa. Até que a gente beija de verdade, e a conversa cessa, a palavra se cala. Mas chega a tranquilidade de poder sentir sem pressa e sem cobrança o que a gente sente. Coisas tão nossas que, num tempo em que cada vez menos sente de verdade, a gente acaba achando que tem sorte. As palavras trabalham a nosso favor, e a voz rouca em acordes felizes faz o humor ir se transformando num querer bem. “Mas a verdade”, é que a gente pode fazer o que for: dar o melhor beijo, inventar o melhor código pra dizer que sentiu saudade, pra dizer que sentiu ciúme, a melhor estratégia, o plano infalível pra passar os dias dançando quando a chuva vier. Nada disso garante nada, porque tudo isso logo passa. Talvez porque existam dicionários que a gente nunca quis perder. A linguagem perfeita que a gente sempre sonhou ter, e outros que queremos descobrir. E pra falar a verdade de novo, nossas enciclopédias vão sendo escritas em meio a dias cinzentos, outros ensolarados, e às vezes vamos descobrindo que entre um código e outro, entre um beijo e o riso, a magia de ter encontrado a simetria perfeita, e mãos espalmadas como quem diz: “eu to aqui pra você”, não passa de uma estrada incerta. A gente não tem certeza de nada. Não se trata de agradar ou ser agradado todas às vezes, não se trata de fazer todas as vontades, de ter o melhor dicionário, mas trata-se de poder ser quem você é, e ver a pessoa gostar de você justamente por isso. O que importa é que no fim a gente resolve tudo, felicidade é só questão de ser. A gente acaba sabendo que em algum lugar dessa estrada o sol brilha e você se liberta, mesmo que pra isso a gente tenha que se perder de verdade, afinal, toda estrada tem um fim.
30 abril, 2011
Melhor viver, meu bem
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Um comentário:
:)
“Se apaixone pela minha dança, não pelo meu rebolado.
Pelo meu andar, não pelas minhas pernas.
Pelos meus beijos, não pela minha boca.
Se apaixone pelos meus abraços, não pelo meu corpo.
Pela minha risada, não pelo meu sorriso.
Se apaixone pelo meu olhar, não pelos meus olhos.
Se apaixone pelas minhas idéias, e não pela minha cabeça.
E por favor, se apaixone por mim e não por quem eu pareço ser!”
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